12/12/2013

GROG - Scooping the Cranial Insides (2012) [8.5/10]

Escavando por entre crânios...

...Os GROG inserem-se como óbvios pioneiros no que toca ao Death Metal nacional. Já contam com mais de duas décadas de brutalidade e não mostram sinais de que vão abrandar. Este é o último trabalho destes lusitanos e é sem sombra de dúvida uma dádiva sangrenta para qualquer fã de old-school Brutal Death Metal/Grindcore. 

A pequena intro denominada de "Troia Mai" remete-nos para uma tribo canibal a exercer o seu ritual enquanto que "Beyong The Freakish Scene" arranca com um peso sufocante que só veria o seu fim no último tema "Decreptic Pussies Cabaret". A bateria descola com double-bass e blast-beasts desumanos, os riffs estão repletos de pujança e ferocidade e as vocalizações guturais são brutalmente capazes de impor respeito. Tudo aqui soa pesado, técnico e maturo. "Sicko" tem uma pedalada implacável... um dos meus temas preferidos, assim como "Split 3 To Share" ou a já mencionada "Beyong The Freakish Scene". 

Não se pegando a influências em demasia e conseguindo manter alguma identidade, há algum cheiro podre a Cannibal Corpse, Morbid Angel ou Suffocation... Alguma da "desordem" instrumental e algumas vocalizações high-pitch remetem-nos até para uns Napalm Death. No que toca às letras, é aconselhável que tenham um estômago forte para aguentar tanto gore sexualmente transmissível. 

"Scooping The Cranial Insides" é deveras um álbum muito bom. É de certo, uma peça que os fãs da banda vão querer ter na sua colecção e uma relíquia por descobrir para qualquer fã das maiores extremidades do Death Metal. É das melhores coisas que se encontra a nível nacional dentro do género... Está ao nível de qualquer internacionalidade também.

05/12/2013

SERRABULHO - Ass Troubles (2013) [7/10]

A cura para a prisão de ventre.

São o último berro do Grindcore tuga, contam com influências Death e até algum Punk (em alguns riffs de "Im Full of This Shit") e denominam-se de Serrabulho. “Ass Troubles” é o primeiro álbum deste projeto extremo. Conta com 28 minutos de pura velocidade e peso, misturados com muito humor (vejamos títulos como "Quero Cagar e Não Posso" ou "Atomic Fart").

Os samples cómicos introduzidos geralmente no início de cada tema são brutalmente interrompidos por um peso sem fim. A voz é maioritariamente em pig squeal como manda a lei do género, os riffs são quase todos simples mas bem conseguidos e a bateria soa brutal, com uma rapidez totalmente necessária para acompanhar o caos e desordem que a voz e as cordas transmitem.

Pontos altos para a excelente produção do álbum (a cargo do baixista Guilhermino Martins) e para o tema "Don't Fuck With Krusty" que conta com o riff mais badass de todo o álbum, simples e mortífero.

Embora não trazendo nada de muito novo, é óbvio que os Serrabulhos são bons naquilo que fazem. Que este "Ass Troubles" seja o primeiro de muitos discos brutais.

30/09/2013

SOULFLY - Savages (2013) [7/10]

Um passo atrás.

Quem leu a review do anterior disco "Enslaved", deverá ter percebido o quanto o apreciei. Infelizmente, "Savages" não manteve a mesma linha de qualidade e soa a um passo atrás em comparação com o grandioso álbum anterior. 

É possível que a saída do baterista David Kinkade e consequente entrada de Zyon Cavalera (filho do legendário front-man Max Cavalera) tenha contribuído para isso... Não há nada de errado com Zyon como baterista, mas a prestação de David em "Enslaved" foi épica, num nível claramente superior.

O que acho que acontece de errado com alguns temas daqui, é que são algo previsíveis, já batidos e muitos riffs soam-nos a reciclagens de outros riffs já existentes no catálogo de Soulfly. São também demasiado longos, alguns sem necessidade nenhuma mesmo... A maioria chega aos 5 (ou até 8 minutos) é com a inclusão de interludes aborrecidos, demasiado longos e dispensáveis no meio ou fim da música. Até o virtuoso guitarrista Marc Rizzo já pareceu ter mais inspiração... Os seus solos aqui soam mais a show-off que outra coisa qualquer.

As participações especiais voltaram em maior numero, com Iggor Cavalera Jr. (o outro filho de Max) a dar umas vozes irritantes no refrão da aborrecida faixa de abertura "Bloodshed" e as mais conseguidas participações de Jamie hanks (I Declair War) em "Fallen", Neil Fallon (Clutch) em "Ayatollah of Rock N Rolla" e Mitch harris (Napalm Death) em "K.C.S.". O baixista Tony Campos dá também as suas vozes à lá Asasino em "El Comegente", como fez em "Plata O Plomo" do disco anterior. 

Toda aquela ambiência mais extrema do Death Metal perdeu-se um bocado aqui. Os Soulfly voltaram ao seu Groove/Thrash, abandonando quase por completo o novo rumo extremo que pareciam seguir. Independentemente de achar um álbum mediano e sem grandes destaques, o tema "Fallen" é à primeira vista o mais conseguido, conta com um Groove bastante potente e alguns restos do Death Metal que Max decidiu abandonar (infelizmente).

02/07/2013

BIOHAZARD - Kill Or Be Killed (2003) [8/10]

Bastante sólido e bruto.

"Kill Or Be Killed" é um dos meus trabalhos favoritos dos Biohazard. É simples e bruto, uma descarga sólida de muito hardcore e groove, onde as duas vozes se completam com muito ódio e uma atitude bastante directa, in your face... Para quem está familiarizado com a banda, conhece também a tendência por vezes mais rap em algumas das vocalizações inseridas. Os riffs são concisos e a bateria tem uma performance muito boa e repleta de pujança. 

Depois de uma faixa introdutória um bocado inútil (28 segundos de feedback), "World On Fire" arranca como um excelente tema de abertura, um pouco diferente daquilo que estamos habituados a ouvir do quarteto no que toca a sua ambiência, é menos hardcore e mais metaleira esta faixa... É repleta de Groove e excelente para um mosh pit. Já os vi ao vivo e posso dizer por experiência própria que os Biohazard ao vivo são uma coisa muito violenta.

"Never Forgive, Never Forget" descola com um riff lento e castiço mas rapidamente se torna numa violenta malha de hardcore como tão bem os Biohazard nos habituaram, com refrões odiosamente "cantáveis" e catchys. O tema título é outro a ter em conta como um dos melhores também.

Nada de genial, mas um trabalho bastante sólido deste quarteto hardcoriano repleto de ódio e genica.

MR. BUNGLE - California (1999) [9.5/10]

Uma explosão de originalidade musical.

"California" é o terceiro e último disco dos extintos Mr. Bungle, projecto mais conhecido por incluir Mike Patton na sua formação, o carismático front-man dos Faith No More que muitos projectos veio a criar posteriormente (incluindo Fantomas, Tomahawk, Peeping Tom...). Mr. Bungle diz um adeus em grande com este disco explosivo, cheio de musicalidade e maturidade, com um experimentalismo enorme e fora do comum. 

É difícil dizer o que está aqui, tem quase de tudo... Cada tema é diferente dos restantes. Existe rock, funk, jazz, metal, lounge... Alguns sons completamente vintage que encaixariam perfeitamente numa banda sonora de um Pulp Fiction. Todo o disco em si é bastante cinemático mesmo. É impressionante a diversidade musical e a maneira como Patton brinca com a voz.

"Retrovertigo" e "Pink Cigarrete" são dois temas absolutamente geniais. As vocalizações em "The holy Filament" são incríveis, um tema brutal. Até a "Golem II" que parece começar em tom de brincadeira acaba no fim por ser outra malha genial e muito catchy... muito mesmo.

Não há como explicar. "California" é uma obra prima e uma explosão de originalidade musical.

27/06/2013

FEAR FACTORY - Digimortal (2001) [7.5/10]

Inferior aos anteriores... Ainda assim é muito bom.

É talvez o disco mais apegado ao "Nu Metal" dos Fear Factory. De certo é o seu trabalho mais simplista no que toca à complexidade dos riffs de guitarra e song-writing... As estruturas das músicas e tudo em seu redor está bastante simplificado se comparar-mos às anteriores obras primas "Obsolete" e "Demanufacture". Apesar de alguns momentos fillers, "Digimortal" é sem dúvida mais uma boa fatia dos monstros industriais. 

"What Will Become?", "Damaged" e "Digimortal" são 3 temas conseguidos, com refrões memoráveis e um Groove interessante onde a bateria assume o destaque... "No One" é outro exemplo disso, de como a bateria aqui está em alta. Em termos de guitarra, é talvez o disco menos "exibicionista" de Dino Cazares, talvez estava a passar por uma fase menos inspirada ou optou mesmo pelos riffs mais simples e sem grande ciência. O que é certo é que ele já tinha mostrado anteriormente uma técnica rítmica bastante superior antes e depois de "Digimortal", não só em Fear Factory como em Devine heresy também.

"Invisible Wounds (Dark Bodies)" é uma excelente balada onde Burton C. Bell faz-se ouvir através dos seus estranhos e únicos cleans, uma balada bastante superior à outra aqui presente neste disco ("Memory Imprints Never End"). "Acres of Skin" é sem duvida a mais extrema. O single "Linchpin" é um tema bastante aborrecido na minha opinião, assim como "Byte Block" e "hurt Conveyor".   "Back The Fuck Up" é uma interessante fusão com hip hop, onde o carismático B-Real dos Cypress hill participa também com vozes.

Escusado será dizer que uma das coisas em alta são os samples e ambiências por detrás dos temas, isso sempre foi quase que 50% dos Fear Factory: o seu elemento industrial. Sem ele, nada seria mesmo.

Pontos altos: "What will become?", "No One", "Invisible Wounds (Dark Bodies)"
Pontos baixos: "Linchpin", "Byte Block", "Memory Inprints Never End"

24/06/2013

ANATHEMA - Eternity (1996) [9/10]

O começo do lado atmosférico.

É aqui o ponto de viragem dos Anthema... Abandonam quase por completo o Doom que sobrava em "The Silent Enigma" e começam a dar um toque mais atmosférico e muito mais soft aos seus temas. A voz começa a ter uma abordagem diferente... Passa a ser sempre limpa e os growls e shouts desaparecem quase por completo. Aqui em "Eternity", os Anathema já pouco têm de Metal.

As ambiência deste disco são muito boas... Tudo é mais condensado na melodia. "Sentient" é uma introdução maioritariamente de teclas extremamente bonita, remete-nos para uma depressiva introspecção... As harmonias das guitarras atrás são capazes de arrepiar todos os pelos do braço. "Angelica" descola da mesma forma, muito melancólica e com um excelente trabalho de guitarras e voz. "Hope" é um tema extremamente catchy e muito bom... O meu preferido a par de "Angelica". De destacar também o tema-título "Eternity", dividido em três fatias, "pt1, pt2 e pt3". Apesar de muito melódico, ainda há alguns temas mais mexidos em "Eternity", sendo "The Beloved" é o melhor exemplo.

Mais um muito bom disco dos Anathema, repleto de armonia e sensibilidade. Um disco para as eternidades, tal como o nome indica.

23/06/2013

GOJIRA - From Mars To Sirius (2005) [9.5/10]

Fora deste planeta.

"From Mars To Sirius" é o excelente terceiro disco dos franceses Gojira e é sem dúvida uma proposta interessantíssima e diferente para todos os fãs do Metal mais extremo.

Joe Duplantier possui um vozeirão muito bom e original... E em grande está também o seu irmão Mario Duplantier que toma conta da bateria de uma maneira indomável-mente técnica e brutal, com a inclusão de alguns double-bass, breakdowns e blast-beats muito intensos... Sem dúvida que a bateria é um dos pontos fortes dos Gojira. Alguns dos beats e passagens são deveras impressionantes. Estes dois irmãos são um grande poço de talento no que toca ao uso dos seus instrumentos.

Joe além da voz e em conjunto com Cristian Andreu, destila riffs pesadões e algumas partes mais melódicas igualmente intensas. O baixo de Jean-Michel Labadie é sentido de uma forma também bastante matura, com alguns pormenores sublimes e muito bons.

Mas não é a só a notável técnica dos Gojira que fazem de "From Mars To Sirius" um excelente disco, é sim o leque de originalidade e os grandes temas que o dão corpo:

- "Ocean Planet": Uma grande abertura de onde rapidamente sentimos o excelente Groove e melodia que os Gojira conseguem muito bem traçar;
- "Backbone": Dispara com um breakdown brutal e muito catchy... Mais à frente há um insano double-bass e bast-beats rapidíssimos e excelentes;
- "From The Sky": Riffs de guitarra bastante contagiantes e vocalizações muito boas. O double-bass na bateria mantém-se quase sempre neste tema;
- "Unicorn": Um melódico interlude curto e instrumental. 
- "Where Dragons Dwell": Outro excelente tema. Inicialmente mais melódico, o tema vai ao encontro do peso característico dos Gojira;
- "The heaviest Matter of the Unniverse": Bastante extremo, talvez o mais pesado a par de "Backbone";
- "Flying Wales": Começa ao jeito de "Unicorn"... Com uma introdução instrumental com notas melódicas de guitarra a repetirem-se bastante, um baixo a dar uns contornos melódicos interessantes e uma bateria a ir dando a variação de um modo progressivo. Por de trás de tudo são ouvidas relaxantes sons de baleias. Aos dois minutos e meio o tema descola com um riff bastante simples mas muito bom e memorável;
- "In The Wildderness": Mais um tema de peso colossal com algumas partes mais arrastadas e extremamente bem conseguidas;
- "World To Come": Uma espécie de balada dos Gojira, com um excelente trabalho de guitarras no início... A soar bastante a 70's por vezes;
- "From Mars" é um tema curto e sereno que serve de introdução para "To Sirius", outra malha repleta de intensidade;
- "Global Warming": Conta com umas guitarradas irregulares e muito boas em grande parte do tempo... Outro excelente malha para concluir este disco descomunal.

É um bocado difícil não simpatizar com os Gojira... 

18/06/2013

NEWSTED - Metal EP (2013) [7/10]

É de facto um trabalho bem "Metal".

Newsted é o novo projecto de Jason Newsted, conhecido ex-baixista dos Metallica que participou nos aclamados discos "...And Justice For All", no álbum negro homónimo apelidado de "Black Album", no "Loud" e "Re:Loud". Aqui ele assume um papel de maior destaque... Além de baixista é também vocalista e o principal compositor dos temas. É quase como um projecto a solo bastante metalíco. 

"Metal" é o EP de estreia e conta com quatro temas, um bom aperitivo enquanto o álbum longa-duração está a ser preparado. A sonoridade aqui praticada é um heavy/thrash metal com alguma toada hardrock. Lembra a fase intermédia da sua antiga banda (Metallica), assim como uns Megadeth e até uns Motorhead em certos riffs (ex: abertura do primeiro tema "Soldierhead").

É tudo mais a base do mid-tempo, o som é mais condensado no Groove do que na velocidade. Todos os quatro temas são bastante competentes e engraçados... Mas algo genéricos também. O que está em destaque aqui é mesmo o papel de vocalista muito bem assumido pelo Jason. 

DOWN - Down IV Part I: The Purple EP (2012) [7.5/10]

O primeiro de quatro...

E os Down tem aqui neste EP o primeiro de quatro capítulos... Foi anunciado pela banda que durante os próximos tempos iriam sair mais 3 EP's e cada um deles vai-se focar em diferentes vertentes dos Down.

Aqui no "The Purple EP" os Down apresentam-se de uma maneira bastante old-school com um som de puro heavy metal carregado de muito sludge que tão bem os caracteriza. Ao ouvir os seis longos temas, há sem sombra de dúvidas uma influência predominante: Black Sabbath. Facilmente cheiramos um Ozzy a cantar ou um Iommy na guitarra.

Os riffs são bastante são bastante graves, cheios de groove e pedalada... Existe sem dúvida uma técnica bastante dominante em muitos desses riffs e solos, assim como esta se verifica no baixo e bateria que estão sempre competente-mente a acompanhar todo o "abafado" trabalho de guitarra.

Além das guitarras, a voz limpa do ícone Phil Anselmo também está em grande. Não há os shouts famosos que ele usava em Pantera... Os apontamentos são todos à base de vozes limpas e cantadas. E lá de vez em quando temos o uso dos seus característicos e muito bem conseguidos spoken words.

Um bom trabalho dos Down que regressam às suas origens com este EP ou até às origens de todo o Metal. Venham os próximos EP's.

17/06/2013

PANTERA - The Great Southern Trendkill (1996) [9/10]

Uma cobra venenosa.

E numa altura de conflitos entre a banda e vários demónios a atribular a coisa, surge aqui aquele que é para mim o álbum mais extremo dos PanterA. A voz de Phil Anselmo nunca soou tão venenosa como soa aqui... É quase sempre tudo à base da mais pura berradeira que o homem consegue. Todo o instrumental está também tudo numa onda menos "fancy" e mais "in your face" por assim dizer. As guitarradas de Dimebag Darrel, baixo de Rex Brown e bateria de Vinnie Paul continuam sempre incrivelmente em harmonia, criando aquele ambiente que só os Pantera sabem criar.

"The Great Southern Trendkill", "War Nerve" e "Drag The Waters" são típicos temas dos Pantera, sendo o primeiro mais acelerado e os outros dois com incisão mais no Groove do que a velocidade, se bem que, continuam com a sua boa dose de violência (principalmente no que toca à voz). "10's" é mais melódica e lenta, não deixando de ser outro excelente tema. Em "13 Steps To Nowhere" a bateria assume quase um papel principal com o excelente beat e double-bass constante. 

Em "Suicide Note pt.1" e "Suicide Note pt.2" temos a colisão entre extremos. A primeira parte é uma magnifica e inspiradora balada... Muito serena e bela, com guitarras acústicas, excelentes ambiências no background e vocalizações limpas muito interessantes. Nem se quer há bateria, é mesmo tudo muito soft. O mesmo não se verifica em "Suicide Note pt.2"... É capaz de ser o tema mais pesado dos Pantera, uma completa descarga de veneno mortífero. Pouco ou nada tem as duas músicas em comum, a não ser o facto de ambas serem das melhores deste disco.

"Living Through Me (Hells' Wrath)" vai descolando numa toada mais Punk e conta também lá pelo meio com impressionantes riffs do grande Dimebag, como sempre... Esses riffs e solos geniais estão por toda a parte. "Floods" é mais lenta, muito sinistra e muito viciante. "The Underground in America" tem uma entrada extremamente catchy e poderosa, um excelente tema de Groove Metal. "(Reprise) Sandblasted Skin" fecha a coisa com mais uma boa dose letal de puro ódio e muito peso. 

Este é mesmo o disco mais hardcore dos Pantera, quase que conseguimos sentir que a banda não se estava a dar muito bem pela altura que o álbum foi gravado... "The Great Southern Trendkill" é um conflito sem fim e outra grande obra de arte dos grande Pantera.

16/06/2013

SEPULTURA - A-lex (2009) [7/10]

A Clockwork Orange meets Sepultura.

"A-lex" é o décimo primeiro disco dos Sepultura, o quinto da "nova fase" com Derrick Green na voz.  Este disco há semelhança do anterior "Dante XXI" é um trabalho temático... Desta vez os Sepultura foram buscar a sua inspiração lírica à grande obra literária (e cinematográfica) "Laranja Mecânica".

O som deste disco é o típico Groove de Sepultura com influências thrash e hardcore. O trabalho de guitarras de Andreas Kisser assumem na minha opinião a posição de destaque aqui, há bons riffs pesadões assim como melodias e solos bastante típicos dele.

Falando dos temas do disco, eles são bastante numerosos desta vez... São dezoito, se bem que "A-lex I", "A-lex II", "A-lex III" e "A-lex IV" servem apenas como curtos interludes instrumentais... E há grandes momentos nessas ditas faixas. Talvez tirassem melhor proveito se unificassem os riffs e compusessem tudo numa só malha, era capaz de ter saído um tema bastante interessante.

Quanto aos temas mais sérios por assim dizer, temos a sensação que o álbum perde-se a meio caminho e começa tudo a soar um bocado repetitivo, mas até lá chegar ainda apanhamos com algumas boas surpresas:
- "Moloko Mesto": Inicia o álbum de modo bastante acelerado e directo;
- "Filthy Rot": Um dos que me chamou mais a atenção pela sua curta introdução tribal, refrão com vozes maradas e pelo seu groove simplista e interessante;
-  "We've Lost You": Um tema mais melódico e um dos que mais fica na memória;
- "What I Do!": Lembra-nos até a fase "Chaos A.D." com riffs simplistas que até lembram os do ex-frontman Max Cavalera;
- "Metamorphosis": Conta com uma introdução bastante sinistra e com algum cheiro a algumas coisas dos Deftones... Depois descola num bom Groove lento e arrastado;
- "Conform": Excelente riff de abertura, se bem que depois perde um bocado a piada visto que o tema é quase todo à base desse riff.

Não é nada de muito extraordinário, mas há coisas suficientes para considerar este disco como um bom álbum e um dos meus preferidos dos "Sepultura II".

NAPALM DEATH - Order The Leech (2002) [8/10]

A cereja no topo do ódio.

"Order The Leech" é o décimo álbum de estúdio dos Napalm Death e é um típico disco dos Napalm: Muita violência descolada através de riffs sedentos, uma bateria colossal repleta de blast-beats e uma das mais potentes e raivosas vozes que já se ouviu neste planeta.

Desta vez sem micro-tracks de menos de um minuto ou coisas assim, os Napalm Death vão sempre directos à extremidade em 12 temas que rondam os 3 minutos. O que é impressionante é como os Napalm conseguem comprimir tanto material em temas com essa duração... Todos os temas tem uma vasta gama de variação rítmica e muito conteúdo, tudo poderosamente acelerado como seria de esperar, não estivéssemos nós a falar dos criadores do Grindcore...

Todos os temas são bastante homogéneos, não há assim aquele que se destaque muito por ser diferente dos outros. É tudo na mesma onda e parecem ter sido mesmo feitos para se ouvirem todos de seguida... Como se fosse uma mega-faixa de 40 minutos. O meu preferido foi "The Icing On The hate". Começa com a velocidade caótica, extrema e muito típica dos Napalm, mas a segunda parte do tema é mais orientada num brutalíssimo groove que descola sem piedade.


13/06/2013

KORN - Issues (1999) [9/10]

O álbum mais negro dos Korn.

Uma pequena mudança de direcção fez-se notar aqui em "Issues", o quarto álbum de estúdio dos originais e inovadores KoRn... O elemento mais hip hop do anterior "Follow The Leader" desapareceu, as músicas tem ambientes mais negativos e "escuros" e a banda distanciou-se um pouco do Nu Metal e mostrou elementos mais Alternative Metal.

Tudo soa menos iluminado aqui, não há temas mais alegres como "Got The Life"... Todos eles são algo sinistros e doentios, destilando grande parte das vezes bons riffs e ambiências bastante conseguidas através das paranóicas guitarras, uma bateria muito bem executada e bem produzida, um baixo pulsante com a técnica exagerada dos slaps à boa maneira dos Korn e obviamente uma excelente prestação vocal.

Sinceramente, este é para mim dos melhores trabalhos da banda... Temas como "Falling Away From Me", "Trash", "Beg For Me", "Make Me Bad" e "Somebody Someone" são para mim ainda hoje, algumas das melhores criações dos Korn. Por entre as várias boas malhas, há ainda a inclusão de alguns excelentes interludes curtos e muito sugestivos como "4U" ou "Am I Going Crazy?".

Um álbum bem mais negro, maduro e equilibrado da banda que tão grande foi nessa altura doirada. Foi também um dos primeiros álbuns que ouvi a sério pelos meus 11 anos, tendo também um grande valor nostálgico para mim.


11/06/2013

CARCASS - Reek of Putrefaction (1998) [5/10]

Grande banda! Mas uma estreia muito confusa...

Apesar dos Carcass serem sem sombra de dúvida uma grande banda e uma enorme influência para muitas bandas de Death Metal, na minha opinião não foi na sua estreia "Reek of Putrefaction" que isso se fez notar. Ao contrário de vários bons exemplos, os Carcass não se manifestaram como deve ser no seu primeiro longa-duração mas sim nos álbuns que se seguiram a este. Isto acontece por causa de uma coisa: a terrível produção.

Gravado em apenas 4 dias e ainda longe do seu Melodic Death Metal de "Heartwork" ou Death N' Roll de "Swansong", o "Reek of Putrefaction" ainda tinha uma sonoridade Grindcore/Grindgore com faixas de pouco mais de um minuto. Os temas são severamente pesados mas acima de tudo confusos pela muito fraca qualidade de produção. Alegadamente, a banda ficou tudo menos contente com o trabalho final do produtor de estúdio. Grindcore não é um estilo famoso por grandes produções de estúdio ou um som limpo, mas desta maneira é demais...

Era bom ter percebido melhor esta estreia dos grandes Carcass, mas o que se pode ver aqui são 22 malhas que nos parecem vir debaixo da terra. A bateria está muito irregular e por vezes inaudível, as notas de baixo e guitarra são muitas vezes quase imperceptíveis e a voz sozinha, mesmo que tivesse bem produzida não salvava nada disto. Está tudo muito abafado e confuso... Demasiadamente sujo e confuso para nos aperceber-mos do seu enorme talento.

CAVALERA CONSPIRACY - Inflikted (2008) [7.5/10]

O regresso dos irmãos Cavalera.

E muitos anos de novelas e especulações sobre da reunião da formação original dos Sepultura que nunca se deu, Cavalera Conspiracy é o mais próximo que teremos dessa ideia muito pouco provável. Igor Cavalera que teria saído posteriormente dos "novos" Sepultura e o irmão Max Cavalera, frontman dos Soulfly e ex-frontman dos Sepultura, juntam-se em "Inflikted" para um disco de um Groove/Thrash Metal como tão bem sabem fazê-lo.

Juntamente com eles neste CD de estreia, ficaram Marc Rizzo que também acompanha Max nos Soulfly na guitarra solo e Joe Duplantier, frontman dos grandes Gojira que aqui assume o papel de baixista, se bem que adiciona (e muito bem o faz) vozes e guitarra nos temas "Black Ark" e "Ultra-Violent". Ainda em "Ultra-Violent" temos o convidado Rex Brown dos Pantera a gravar as linhas de baixo. É portanto um mega-lineup com todos os ingredientes para fazer um bom disco.

Mas... Para ser sincero, este bem podia ser um álbum dos Soulfly. Igor não usa os seus elementos mais característicos e tribais, limita-se mais a acompanhar tudo de uma maneira competente e num estilo mais hardcore/trash, não dando tanto aquela divergência do som dos Soulfly da altura que este álbum saiu... "Inflikted" soa na mesma onda de álbuns como "Conquer" ou "Omen". O facto do guitarrista solo ter sido Marc Rizzo também não ajuda a diferenciar isto dos Soulfly, por muito bom que a sua prestação seja aqui (porque é), talvez fosse interessante Max e Igor terem optado por outro bom guitarrista solo para diferenciar um bocado a coisa.

Tirando isso, temos aqui 11 temas modernos com bastante incisão no groove, hardcore, punk e thrash metal. É portanto uma mistura de "Arise", "Chaos A.D." e "Roots" dos Sepultura com o material dos Soulfly, mas sem elementos tribais. A coisa é mais directa ao assunto. Alguns temas descolam mais em mid-tempo como o tema título "Inflikted", "Terrorize" ou "Must Kill" e outros são mais acelerados como a implacável "Sanctuary", "hex" ou "Nevertrust". Não decepciona, mas também de certo não ficará para todas as eternidades nem é a melhor obra dos Cavaleras juntos.


GODFLESH - Songs of Love and Hate (1996) [7/10]

Para ser tocado numa discoteca de horrores.

Estes pioneiros do Industrial Metal misturam aqui em "Songs of Love and hate" uma vasta gama de sonoridades e ambiências que tornam este disco bastante variável. Uma estranha e única fusão, onde guitarras pesadas se cruzam com diversos efeitos, drum loops lentos, um baixo com bastante distorção e uma voz maioritariamente rasgada

"Circle of Shit" foi de todos o tema que desde inicio mais me chamou a atenção, conheci-o através de uma compilação da Earache Records e foi daí que o meu interesse pelos Godflesh nasceu. O tema tem uma ambiência industrial muito boa e um único beat de bateria muito contagiante. 

Contrariamente de anteriores trabalhos, este álbum conta com uma bateria real e não programada. Apesar disso, continua tudo a soar futurista e o elemento Industrial de certo que permanece em grande vigor. Por vezes os Godflesh distanciam-se até do Metal e introduzem uns elementos mais Rock e até Sludge, como se pode verificar em temas como "Frail" onde as vozes são limpas e as ambiências mais atmosféricas soam-nos mais melódicas.

Aconselhado pelas suas ambiências bastante distintas, algumas delas bastante bem conseguidas e capazes de nos causar vício.

10/06/2013

MESHUGGAH - I EP (2004) [8/10]

Uma assombração experimental.

Este não é um EP normal... Mas quando se fala de Meshuggah, o que é que é normal? 

"I" é um EP de apenas 1 tema com a duração de 21 minutos, e além disso, o tema foi alegadamente um resultado de vários improvisos. Os primeiros 5 minutos podem soar um bocado repetitivos. Embora tenha os seus bons momentos e "rebentos", muitas coisas parecem-se repetir constantemente, mas depois disso... Os Meshuggah não param de introduzir novos elementos nesta malha frenética e esquizofrénica. 

A entrada aos 5:37 com o solo é qualquer coisa de brutal. Outro momento "stand-out" é o colossal breakdown aos 10:30 que quanto mais alto, melhor soa e mais vizinhos afugenta. A passagem lenta de guitarras aos 14:40 também muito boa, dá a chamada para a conclusão deste pequeno pesadelo.

"I" então é uma longa trovoada de extremidade, repleta de experimentalismo, contra-tempos, ambiências sinistras, muito Groove e muita técnica como não podia deixar de ser, não tivéssemos a falar dos Meshuggah.

08/06/2013

SOULFLY - Primitive (2000) [7.5/10]

Distúrbios na savana.

O segundo disco dos Soulfly "Primitive" está repleto de ambiências tropicais causadas pela excelente percussão, riffs simples bastante característicos de Max Cavalera e temas de simples estruturas a puxar mais pelo Groove mid-tempo e Nu Metal. Está também cheio de convidados especiais, mais notoriamente Tom Araya (Slayer), Corey Taylor (Slipknot), Sean Lennon (filho de John Lennon) e novamente Chino Moreno (Deftones) que já tinha participado num tema do primeiro álbum da banda.

No meio de vários bons riffs pesados e simples, há também várias passagens world music que por vezes soam bem, outras vezes soam um bocado descabidas e longas de mais. Contudo, "Primitive" sem dúvida que tem alguns bons temas, a começar pelo primeiro "Back To The Primtive" que é uma boa malha de abertura. "Pain" é simples mas muito contagiante e as vozes de Chino Moreno (Deftones) e Grady Avenell (Will haven) tornaram-lhe ainda mais "venenoso". "Bring It" é o mais acelerado e tem uns beats de bateria diferentes com double snare's constantes, um Kizomba Metal desorientador e pesado. 

"Son Song" é um tema simplório (tem basicamente 2 riffs) mas muito bom e catchy... Sean Lennon faz um bom trabalho nesta música, com vozes limpas bastante diferentes. O tema com Corey Taylor (Slipknot) "Jump The Fuck Up" tem um refrão Groovy e umas passagens mais lentas que é onde Corey oferece as suas vocalizações limpas até chegar a berraria do refrão. "Terrorist" com Tom Araya (Slayer) é um tema mais Nu Metal que dá caminho a uma parte mais hardcore e acelerada no final.  "Mulambo" e "Boom" não me cativaram muito ao contrário de "The Prophet" que já me soou muito melhor e mais pensado. "Soulfly II" é uma sequela de "Soulfly", outra balada ZEN instrumental bem conseguida com muita melancolia e sabores exóticos.

Outras participações especiais menos mainstream foram 3 rappers em "In Memory Of..." e uma excelente voz feminina que canta o refrão do último tema "Flyhigh" (a mesma voz que veio a cantar "Tree of Pain" no disco seguinte "3"). "In Memory Of..." é um tema 100% hip hop, com um riff de guitarra no refrão e uns gritos de Max. "Flyhigh" é uma malha mais séria na onda das outras mas com um refrão bastante melódico onda entra a voz feminina.

É portanto um disco com alguma variedade e com umas ambiências ancestrais bastantes únicas, causadas maioritariamente pela percussão e pela influência tribal. "Back To The Primtive", "Pain", "Son Song", "The Prophet" e "Flyhigh" são os temas que destaco daqui. 

07/06/2013

PARADISE LOST - Believe In Nothing (2001) [7/10]

Um disco de "baladas forçadas" dos Paradise Lost.

E os Paradise Lost aqui neste oitavo álbum, continuam na onda do anterior disco "host" e longe do seu Gothic Metal que os levou à fama. Continuam portanto numa onda mais de Rock simples e comercial, com algumas ambiências mais electrónicas... Obviamente que também há uns elementos mais góticos, mas muito pouco. E a nível de peso, ele é quase insistente aqui.

Alegadamente, após o disco ter sido completado, a editora forçou-lhes a voltar ao estúdio para gravar três temas single mais comerciais. Apesar da banda ter sido forçada a alterar muita coisa aqui e não tendo o controlo criativo, penso que algumas coisas saíram bem aqui.

Mas sim, é um bocado estranho tanta falta de algum peso ou maior distorção, de Metal não há mesmo nada... E estamos a falar dos Paradise Lost que tiverem em "Shades of God", "Icon" ou "Draconian Times" excelentes obras influenciáveis de Gothic Metal. Contudo, as músicas em "Believe In Nothing" vão destilando algumas boas ambiências de teclado, um trabalho de guitarras, baixo e bateria competentes e uma boa voz limpa de Nick holmes (até parece ser um projecto paralelo dele, a voz é a única coisa que mais sabe mais a Paradise Lost aqui).

Todas as malhas são bastante "radio friendly" e não há nenhuma particularmente má ou muito boa. São praticamente todas simples e com refrões cantáveis e engraçadinhos, nada de mais. "Mouth" (a mais conhecida) é a minha favorita, tem umas linhas de voz bastante catchy e uns desenhos simples de guitarras bastante contagiantes.