17/04/2013

METALLICA - St. Anger (2003) [4.5/10]

Poderia ter sido bom, mas a produção não deixou.

Eis um disco muito polémico dos Metallica, e completamente diferente de tudo o que se esperava. Já tinha passado algum tempo desde os anteriores álbuns de estúdio "Load" e "Reload" (igualmente polémicos devido à brusca mudança de direcção sonora), sendo que ausência de um álbum de originais de estúdio já era de 6 anos.

Um álbum de Metallica sem solos? É difícil de imaginar, mas aconteceu em St. Anger. As guitarras limitam-se apenas aos riffs pesados e repletos de groove com esporádicas passagens mais melódicas. Temas como "Frantic", "St. Anger" e a mais melódica "The Unnamed Feeling" tiveram um gigantesco airplay na MTV, lembro-me perfeitamente de adorar o videoclip de "St. Anger" quando saiu, com os Metallica a tocar dentro de uma prisão cheio de reclusos vestidos de laranja e com ar de poucos amigos a assisti-los.

Alguns temas são demasiado longos e chatos, mas o álbum no geral têm uma boa pedalada de Groove e algumas melodias bastante memoráveis... Apesar de mal recebido por muitos, nem tudo aqui é mau... É sim difícil de digerir, é um disco algo estranho e diferente de tudo o que os Metallica já tinham apresentado. Como já referido não há solos, coisa que os Metallica costumavam ter em abundância. Os riffs estão "modernizados" e com uma afinação bem mais grave. Contudo, é de facto a produção que estranhamos mais.

É mesmo o que me incomoda mais aqui.. O trabalho de estúdio. A tarola da bateria soa tão mal que não sei como é que alguém se lembrou de a deixar assim... Soam a bidões de lata velha e irritantes. Isto estraga o produto final. Há coisas bastante interessantes aqui como por exemplo o tema título "St. Anger" e "Purify", repletos de riffs intensos e interessantes, mas, e infelizmente, aquela tarola acaba sempre por se ouvir e se destacar pela negativa por soar tão mal.

Um disco dos Metallica mais pesado que os anteriores e que podia ser bastante mais interessante se tivesse tido uma devida produção. Bem pensado mas mal executado no estúdio.

Pontos altos: "St. Anger", "Purify"
Pontos baixos: Trabalho de estúdio especialmente no que toca à bateria

ARSON ANTHEM - Arson Anthem EP (2008) [7/10]

Odioso e pesadíssimo hardcore/punk à moda antiga.

Uma das coisas que me fez ouvir isso, e tal como deve ter acontecido a muita gente, é o facto de ser Philip Anselmo (ex-frontman dos Pantera) a tomar conta da guitarra neste projecto.

Este disco foi gravado em 6 dias na primavera de 2006, mas não se deixam enganar, de certo que as flores dessa primavera não serviram de inspiração para este quarteto. Rapidamente percebemos que este registo de estreia dos Arson Anthem não tem espaço para grandes pormenores nem coisas muito "fancy", é sim uma rapidíssima descarga de rancor e peso venenoso que descola desde o primeiro tema e só acaba no oitavo.

Só para terem uma ideia, nenhum destes 8 temas excedem um minuto e meio. Tudo se passa demasiadamente rápido e não há espaço para digerir a coisa, é como um violentíssimo mosh sem saída possível onde toda a gente está de punhos fechados a tentar apanhar-te. "Coops Shoot Coke" tem apenas 35 segundos, lembra até por vezes os Anal Cunt com um pouco de mais ciência.

Muita batida crust hardcore e punk com um "feeling" bastante underground, passando até um pouco pelo grindcore. Muito pesado, rápido e curto. Imaginem um disco de uns Pantera menos técnicos só com temas como "Suicide Note part 2".

25/03/2013

MOONSPELL - The Antidote (2003) [8/10]

Uns Moonspell inspirados e mais pesados.

Este foi para mim um regresso bastante positivo dos “nossos” Moonspell mais pesados. O anterior “Darkness And hope” foi sem dúvida um bom disco mas continuou numa linha mais melódica, pausada e experimental dos Moonspell, tal como os anteriores “The Butterfly Effect” e “Sin/Pecado”. Aqui em “The Antidote” o peso e velocidade estão de volta e em grande. 

Os riffs de guitarra estão 50% melódicos 50% agressivos e a bateria ganhou sem dúvida um novo dinamismo com a velocidade geral das músicas e com o uso frequente de double-bass que já não era ouvido há um bom tempo nos temas dos Moonspell. 

Outra das novidades é a agressividade da voz de Fernande Ribeiro, os “berros” estão de volta em muito maior número do que anteriormente. Continua ainda a haver bastante uso das vozes cleans e “spoken words” sussurrados, mas é bastante notável o uso de muito mais voz gutural. Toda a voz aqui soa muito bem e em grande forma, tal como os riffs de guitarras que nos soam bastante inspirados e intensos… E intensidade e peso são coisas que tinham sido um pouco perdidas pelo caminho nos anteriores trabalhos.

Uma coisa que continua intocável é toada aquela ambiência gótica característica da banda… Apesar da dose de peso acrescentada, aquela mística “Moonspell” contínua em vigor.

“In And Above Man” é uma excelente faixa de abertura que nos faz rapidamente notar a nova direção mais pesada dos Moonspell. “From Lowering Skies” tem uma precursão em alta e uma toada muito atmosférica e cinematográfica. 

“Everything Invaded” é carregado de peso e melodia. É um excelente exemplo de como as guitarras estão em alta, com riffs “melódicópesados” e um solo bastante conseguido. O melhor tema do disco. 

“Southern Deathstyle” à semelhança do tema de abertura é bem pesado e igualmente bom. O tema-título “Antidote” é uma espécie de balada, excelente harmonia e refrão. Lembra-me a fantástica “Nocturna” do anterior álbum “Darkness and hope”. 

“Capricorn At her Feet” são também uns Moonspell cheios de inspiração a destilar um tema harmoniosamente pesado. “Lunar Still” é talvez aquele mais “terrotento”. Conta com uma introdução longa e sinistra de apenas teclado no início (à laia de uns Cradle of Filth), até vir a ser acompanhado pela voz e pelo instrumental que consiste apenas num único Riff de guitarra e desaparece depois em fade out.

“Walk on the Darkside” é totalmente rockeiro e menos metálico, uma boa malha. “Crystal Gazing” continua a destilar peso e melodia característicos dos lusitanos e “As We Eternally Sleep On It” fecha a coisa numa ambiência mais atmosférica. 

Vejo esta mudança para um som mais pesado como um movimento de carreira necessário e conseguido dos Moonspell. Ainda se mantém actualmente assim. "The Antidote" é um álbum bastante bom, um dos meus preferidos da banda que tanto orgulho dá aos portugueses.

21/03/2013

HOW TO DESTROY ANGELS - How To Destroy Angels EP (2010) [8/10]

Um casal de experimentalistas.

Apesar de aparentemente os Nine Inch Nails terem regressado ao activo, durante o período em que estes tinham supostamente acabado, o seu mentor Trent Reznor não ficou de braços cruzados, tendo produzindo várias bandas sonoras para filmes. Além disso, criou este novo projecto How to Destroy Angels com a sua mulher Mariqueen Maandig, que possuiu de facto, uma bonita voz bastante tranquilizada.

Instrumentalmente parecido com os NIN, a grande novidade neste EP de estreia do projecto é mesmo a voz feminina. Tanto é sentida a solo como por vezes dobrada com a voz de Reznor, uma combinação muito melódica e bastante familiar para os fãs dos Nine Inch Nails. Instrumentalmente é uma espécie da fase mais serena e menos "maluca" dos Nine Inch Nails. Sem muito peso, o som é sobretudo à base de beats muito industriais, onde a electrónica e experimentalismo se notam em alta.

O tema de entrada "The Space In Beetween" é muito bom. Possui ambiências únicas que Trent Reznor sabe tão bem criar e uma muito boa e sensual voz feminina. É também aquele tema que mais facilmente agradará a toda a gente, sendo que os outros são bastante mais experimentalistas e menos "comerciais". "The Believers" é também muito boa, com um beat mais "extraterrestre" mas com umas dobragens de vozes muito serenas e agradáveis.

Uma espécie de versão mais soft dos NIN muito bem conseguida e igualmente contagiante.

EXTREME NOISE TERROR - Damage 381 (1997) [7/10]

 Peso bruto capaz de causar danos.

Aqui os Extreme Noise Terror largam quase por completo o Crust/Punk que os caracterizavam e viram para um Death Metal à boa moda antiga. É o único álbum que conta com vocalizações de Mark "Barney" Greenway dos grandes Napalm Death, banda que sigo de perto e que gosto bastante. Apesar de haver predominantes vocalizações de Barney, as suas vozes são partilhadas estranhamente com outros dois vocalistas. Esta foi uma altura um pouco confusa em que este ministro da extremidade a que chamamos de Barney, teria sido expulso dos Napalm e regressado pouco tempo depois. Aquando desse tempo fora dos Napalm, este "Damage 381" foi gravado com ele.

São dez temas que o compõem, na sua maioria curtos, pesadões e bastante directos. Melodia aqui é algo que não existe, se estão à procura de riffs engraçados e melódicos este é o álbum errado, aqui só há peso duro e crú. Nem solos de guitarras podemos ouvir aqui. Não há nada aqui que me faça abrir a boca de admiração ou que me faça agarrar-me a isto, mas também não há nada de mal. Os riffs de guitarra são violentos, a bateria e o baixo estão bem delineados e a constante dança entre as três brutas vozes diferentes fazem isto soar bastante conciso, mesmo sem solos de guitarra que por vezes até dariam um maior brilho a isto.

A ambiência instrumental caótica e agonizante lembra-me bastante os próprios Napalm Death... Quando é a voz do Barney em cima, facilmente podemos confundir um tema dos Extreme Noise Terror com um dos Napalm Death pela fase de "Fear, Emptiness, Despair".

Um destaque para o curtíssimo e pesadíssimo tema-título "Damage 381" e "Crawl" que possuiu uma arrancada bastante potente e contagiante.

OBITUARY - Don't Care EP (1994) [7/10]

Um bom preview de "World Demise".

Este curto EP de três temas sucessede o aclamado álbum "The End Complete" e antecede "World Demise", servindo quase como um pequeno preview do álbum, contendo 2 temas que lá saíram e um 1 que apenas saiu numa re-edição do álbum.

O tema título "Don't Care" abre o EP e é o mais importante. Encontramos uns Obituary mais lentos a concentrarem-se mais num Groove que assente bem no ouvido sem muito "double bass" de bateria que era bem notável nos mais antigos registos como "Cause of Death". Contudo, lento nem sempre é mau. Embora prefira os anteriores trabalhos, "Don't Care" é um muito bom tema e veio também a abrir o seguinte álbum "World Demise". Um destaque para a excelente, agonizante e inconfundível voz (como sempre) de Jonh Tardy.

"Solid State" (que veio também a ser inserido no álbum) e "Killing Victims Found" (que só entrou na re-edição) passam um por pouco por ficar na sombra de "Don't Care". Ambos possuiem uns riffs de guitarra engraçados assim como excelentes solos à lá Obituary (com muitos guinxos e dor)... Mas estão longue de ser os Obituary no seu melhor.

Contudo, este curtissimo EP é um bom preview daquilo que podemos encontrar no álbum "World Demise". Se gostaste do EP, o álbum de certo não te desilusará e soará mais completo e satisfador.

FANTÔMAS - The Director's Cut (2001) [9/10]

Uma coisa de génio vinda de um génio.

Estes Fantômas são um dos muitos projectos paralelos criados pelo génio Mike Patton após o fim dos Faith No More, banda de enorme sucesso em que era vocalista. Juntam-se a ele aqui Dave Lombardo (Slayer) na bateria, Buzz Osbourne (Melvins) na guitarra e Trevor Dunn (Tomahawk e ex-Mr. Bungle, outras duas bandas de Mike Patton) no baixo.

Para quem não os conhece, os Fantômas não são um projecto ou banda comum com músicas com refrões, letras bonitas e musicalidade... São uma coisa muito bizarra e completamente anti-comercial. O primeiro álbum tem 30 músicas, não incluí letras e cada música é uma espécie de uma página de uma banda desenhada. Só ouvindo para se perceber. A falta das letras (substituída por apenas por vozes e ruidos feitos por Patton) talvez tenha feito muita gente não compreender os Fantômas.

Aqui este segundo disco é talvez aquele mais "fácil" de se gostar deles. Consiste em covers de diversos temas de grandes filmes clássicos antigos, e sim, o projecto estive aqui em grande. São 15 versões incríveis de grandes "theme songs", algumas mais conhecidas como a de Godfather e outras nem tanto. É por isso que digo que este é talvez o disco mais acessível dos Fantomas, são recriações e até porque ainda conta com algumas letras esporádicas. Porém, a maioria das vocalizações não tão a dizer-nos nada directamente, são apenas "barulhos" e melodias geniais e muito bem conseguidas do doutor Patton.

O instrumental é completamente irregular, ora lento e muito melódico, ora completamente furioso quase atropelando a versão original dos temas. A bateria de Lombardo está em alta aqui, dá-nos uma textura mais Groove e por vezes até um feeling mais jazz. 

Embora aconselhe vivamente a ouvirem esta obra de arte do inicio ao fim sem parar, é impossível não mencionar algumas músicas como a excelente versão do clássico "The Godfather", da bela versão de "Experiment In Terror" e das muito sinistras "Cape Fear" e "Rosenmary's Baby". "Spider Baby" contem um enorme "feeling" cinematográfico e é muito boa também. Conhecendo o filme "Henry, a portrait of a serial killer", fiquei igualmente fascinado pela genial interpretação do tema aqui, muito boa malha e cheia de "suspance" e terror que tão bem caracterizam o filme. A "Twin Peaks: Fire Walk With Me" está cheia de classe e é tão bela quanto a Laura Palmer... É o penúltimo tema mas deveria ter sido o último.

Um disco único, uma coisa de génio que deveria ser ouvida por todos do inicio ao fim.

SLAYER - Reign In Blood (1986) [9.5/10]

Uma chuva que não para de derramar sangue. 

Na altura em que os Metallica, Megadeth e Anthrax estavam a fazer furor e os Slayer ainda estavam na sombra, tudo mudou com o lançamento desta bruta obra de arte. "Reign In Blood" é um dos álbuns mais pesados já alguma vez feitos em todo o heavy metal, a sua constante energia e velocidade cativaram tanta gente que meteu os Slayer no mainstream. 

A impiedosa e veloz bateria de Dave Lombardo, baixo pulsante e voz desumana de Tom Araya e os incríveis riffs e solos de Jeff hanneman e Kerry King invocaram uma mistura diabólica a que chamamos de Slayer. 

"Angel of Death" é um verdadeiro clássico, uma entrada completamente demoníaca para um álbum igualmente dos demónios. "Piece by Piece", "Necrophobic" e "Altar of Sacrifice" são temas mais curtos mas nunca deixam a velocidade e o peso que tão bem caracterizam "Reign In Blood". 

"Jesus Saves" engana-nos com o seu inicio mais lento dando-nos a querer que este álbum vai "acalmar um bocado" mas rapidamente somos corrigidos pelos Slayer que após um minuto de duração fizeram questão de nos surpreender novamente com toda a furiosidade desumana. "Criminally Insane" começa com um simples e cativante toque de bateria, que com o entrar das guitarras, baixo e voz, nos fazem querer que este álbum não nos para de surpreender com tantos temas bons seguidos. 

"Reborn" e "Epidemic" continuam toda a ambiência caótica e impiedosa. Mal "Postmortem" começa, rapidamente sabemos que algo de bom e clássico vêm aí... E no fim do tema não nos enganamos e adivinhamos em cheio, grande tema da longa lista de bons temas que os Slayer nos proporcionaram ao longo de tantos anos.

E depois de tanta brutalidade junta, de um álbum tão rápido e feroz, a chuva de sangue faz-se ouvir acompanhada de um toque de bateria que nos parece preparar para uma guerra... A essa guerra chamo de "Raining Blood". Como é possível que os Slayer tenham ainda na manga o melhor tema do álbum como última faixa? Nem vale a pena falar do tema, todos o conhecem e adoram, e se não o fazem, ao menos têm a obrigação de o respeitar.

O título do álbum é uma espécie de abreviatura de aquilo que podemos encontrar. "Chuva de Sangue" é mesmo um título adequado para este terrorento, pesadíssimo, furioso e clássico disco dos Slayer. Muito bom.

20/03/2013

MY DYING BRIDE - Symphonnaire Infernus Et Spera Empyrium EP (1992) [8/10]

Uma orquestra negra: Os primórdios anos dos My Dying Bride.

Os mais recentes fãs dos My Dying Bride provavelmente desconhecem estes primeiros primórdios registos da banda, em que o Doom Metal que tão bem os caracteriza ainda não era assim tão defino, havendo ainda muita mistura com old school Death Metal. Ainda vulgarmente desconhecidos, este primeiro sinistro EP de três temas “Symphonnaire Infernus Et Spera Empyrium” saiu pela Peaceville Records antes do álbum de estreia que dei uma maior exposição à banda.

O primeiro tema com o mesmo título do EP abre numa ambiência muito boa totalmente sinfónica que cedo é acompanhada peso lento, arrastado, demoníaco e depressivo dos My Dying Bride. Uma verdadeira orquestra negra comandada por uma excelente voz gutural. São quase 12 minutos de um “sofrimento” sem fim.

“God is Alone” é 100% Death Metal, começa com um berro gutural cheio de veneno para igualar todo o peso e raiva transmitida pelo instrumental. Nada aqui é perto de Doom, até blastbeasts são ouvidos aqui. Uma faceta que apenas encontramos nestes primórdios My Dying Bride, que depois focaram-se sem dúvida na sua mais conhecida faceta Doom, tornando-se uns pioneiros do estilo.

“De Sade Soliloquay” começa novamente mais Doom mas mais à frente o Death volta a prevalecer, substituindo a pesada lentidão por riffs mais velozes e furiosos. O tema encerra assim este trabalho de muita dor.

A belíssima voz limpa de Aaron Stainthorpse ainda não estavam em vigor aqui, só há registos guturais neste curto mas muito promissor primeiro EP das lendas My Dying Bride. Este EP é uma importante parte da longa história discográfica desta respeitadíssima banda.

SOULFLY - 3 (2002) [8/10]

O meu preferido da fase “Nu Metal” 

Apesar deste “3” ter um nome e uma capa muito desinspiradas, é uma das minhas favoritas obras dos Soulfly. Lembro-me de o achar muito bom na minha adolescência quando saiu e hoje em dia o sentimento é o mesmo. 

“Downstroy” é perfeito para a abertura deste disco, uma descarga de energia e de riffs simples e poderosos que nos sumarizam o álbum muito bem daqui para a frente. A voz de Max Cavalera está a soar bastante boa neste álbum, assim como a bateria de Roy Mayorga. 

A mais conhecida “Seek N Strike” é talvez o tema mais “catchy” aqui… Tem um poder incrível de ficar gravado na memória após pouco tempo. Os “here we go…” descolam-se com todo o veneno assim como todo o Groove simplista dos Soulfly neste álbum. 

“Enterfaith” é também muito sedutora, possuidora de outro riff base muito simples e “cavaleriano” mas muito bom. Refrão potente. 

“One” conta com a participação especial de Cristian Machado dos Ill Nino, que partilha as vozes com Max neste tema mais “quieto” e lento que consiste praticamente num só “beat” de bateria. O riff de guitarra mais pesado do refrão lembra-nos uns Korn. 

“L.O.T.M” volta a descolar toda a raiva e peso um pouco perdido em “One”. Um tema com um sabor verdadeiramente hardcore e perfeito para tocar ao vivo. 

O tema seguinte é cantado em português. “Brasil”, uma interessante fusão entre um Nu Metal e uma percussão mais brasileira. A inclusão do berimbau na introdução também nos deixa muita água na boca para o que vem a seguir. 

“Tree of Pain” de quase nove minutos começa muito serena e calma com uma excelente voz feminina. Lá pelo meio o tema é atropelado por um comboio cheio de peso e hardcore que depois de atropelar tudo o que tinha para atropelar, desvanece-se fazendo com que a excelente harmonia do início regresse. Um tema (de muitos) dos Soulfly dedicado a Dana Wells, afilhado de Max Cavalera que morreu bastante jovem num acidente de carro. 

“One Nation” é uma boa cover dos Sacred Reich e conta até com o baterista e guitarrista da banda como convidados. 

“9-11-01” é apenas uma faixa silenciosa de um minuto… Um minuto de silêncio em memória das vítimas do terrível 11 de Setembro. 

“Call To Arms” tem pouco mais de um minuto e é outro tema que a par de “L.O.T.M” tem todo aquele ambiente mais hardcore e pesado, perfeito para as “moshadas”. 

“Four Elements” tem um Groove engraçado e caracteriza muito bem os Soulfly neste álbum. Pelos dois minutos há ali uma quebra no peso. Entra uma serena e tribal “interlude” que acaba por ser esmagada pelo riff final. 

“Soulfly III” é uma muito boa balada dos Soulfly. Aqui já estavam a manter a tradição pela terceira vez que se veio a prolongar até agora, a de incluírem em todos os discos uma balada com o nome da banda e o número do álbum. Esta é capaz de ser a minha “Soulfly” favorita de todas. 

“Sangue de Bairro” é uma cover dos Nação Zumbi e segue-se de “Zumbi” uma faixa final um pouco estranha para fechar este “3”, consistindo basicamente em dois minutos de uma precursão muito brasileirada seguindo-se de uns sininhos quaisquer a tocarem por aí enchendo tempo até aos seis minutos. 

Tendo a versão em digipack ainda conto com quatro bónus tracks. Uma cover dos Pailhead “I Will Refuse” que é um pouco repetitiva e chata mas é compensada pela seguinte excelente cover dos Black Sabbath “Under The Sun”. “Eye For An Eye” do primeiro disco “Soulfly” e “Pain” do segundo “Prophecy” estão aqui também em boas versões ao vivo como bónus tracks. 

Não sei bem porque gosto tanto deste álbum, talvez por ser já um companheiro de longa data ou talvez pela sua simplicidade que sempre me cativou. É algo bastante original que só nos soa a Soulfly e nada mais. Aqui há algo que me faz preferir este disco em relação aos dois anteriores álbuns, não sei é bem o quê. "3" é um disco estranhamente bom.

Pontos altos: "Downstroy", "Seek N Strike", "Enterfaith", "Brasil", "Soulfly III", bonus track "Under The Sun"
Pontos baixos: Zumbi, bonus track "I Will Refuse"

18/03/2013

NINE INCH NAILS - Broken EP (1992) [7/10]

Bem vindos ao estranho mundo dos NIN.

Os Nine Inch Nails também conhecidos também apenas pelas siglas NIN têm em "Broken" o seu segundo trabalho de estúdio. É um EP que apresenta umas influências mais mexidas e pesadas do que o seu anterior álbum de estreia de grande renome "Pretty Hate Machine".

Se o primeiro álbum consistia mais em influências bastante electrónicas e synthpop, "Broken" apresenta uma nova atitude mais rock industrial e até um pouco de industrial metal.

Depois da curta intro intitulada "Pinion", "Wish" e "Last" desconsolam em grande estilo com riffs de guitarra conseguidos, uma batida potente e uma ambiência diferente e estranha completamente caracterista de Trant Reznor que é o vocalista, principal instrumentalista, compositor e mentor dos NIN.

"Help Me I'm In hell" é uma sinistra instrumental cheia de ambiência e "suspance" que serve quase como introdução para a pesadona e industrialíssima "Happiness In Slavery". Este último tema possui um videoclip banido e completamente marado. "Gave Up" lembra-me Ministry e têm por vezes até um pouco de ambiência Punk Rock.

O EP termina com duas "hidden tracks", são as faixas 98 e 99 (sim, NIN sempre tive umas ideias maradas). São duas covers. "Physical (you are)" é uma conseguida e "sensual" cover de Adam Ant, mais actualizada e potente que a original. "Suck" dos Pigface é igualmente interessante e uma boa maneira de encerrar um EP que regista um passo em frente na direcção musical mais "hardcore" dos Nine Inch Nails.

Uma nota de destaque para as letras e excelente prestação vocal de Trent Reznor que sempre foi o cérebro e o elemento fulcral dos NIN. Um inovador.

NAILBOMB - Proud To Commit Commercial Suicide (1995) [6.5/10]

"Point Blank" ao vivo.

Este é o segundo e último trabalho lançado pelo projecto hardcore/industrial metal paralelo de Max Cavalera (na altura nos Sepultura) e Alex Newport (Fudge Tunnel). Como o próprio nome do disco reflecte, aqui os Nailbomb já sabiam que iam acabar e sentiram-se "orgulhosos" em cometer este suicídio comercial, acabando com o projecto.

Este é um álbum ao vivo com uma razoável gravação do único concerto que os Nailbomb fizeram. Na verdade deram também um pequeno concerto surpresa num Club antes desta maior data no festival Dynamo que é onde isto aconteceu. 

Mais tarde em 2005 foi também lançado em DVD desta prestação dos Nailbomb, que é bem mais interessante do que apenas apenas este álbum ao vivo. Os Nailbomb lançaram apenas um álbum de estúdio denominado de "Point Blank" que já foi revisto aqui, pelo que aqui é praticamente o mesmo álbum mas em versão ao vivo com uma ordem diferente. A única coisa que aqui há que não está no álbum é a cover "Police Truck" dos Dead Kennedys que foi tocada ao vivo e os dois últimos temas que foram temas de estúdio não editados até então.

Aqui em formato ao vivo os Nailbomb contaram com mais convidados para completar o raivoso instrumental, destacando-se o excelente Iggor Cavalera na bateria em quase todos os temas e Evan Seinfeld (frontman dos Biohazard) a tocar baixo no último tema do set "Sick Life".

Pouco temos a dizer da prestação ao vivo, está tudo bastante hardcore e inclui umas boas ambiências mais industriais como no álbum. Está tudo fiel a "Point Blank". Mas... quem não prefere ouvir as gravações de estúdio? Estão superiores e soam melhor do que esta gravação ao vivo que talvez só merecia ter saído em DVD.

"While You Sleep, I Destroy Your World" e "Zero Tolerance" são os dois temas de estúdios não editados que encerram o álbum. Por algum motivo ficaram de fora do "Point Blank", são algo "fracotes". São longos e bastante industriais mas há pouca coisa que nos satisfaça, parecem ter sido feitos assim à socapa e falta-lhes conteúdo. Também não gosto da produção deles, está tudo muito ruiodoso especialmente no segundo tema em que a tarola é uma irritante e constante repetição de uma espécie de guincho industrial altíssimo e desagradável.

Este projecto de pouca duração deveria ter-se ficado apenas pelo "Point Blank". Este "Proud To Commit Comercial Suicide" apesar de vir bem apresentado (com uma mensagem de "despedida" de Max e Alex no "booklet" e tudo),  no final de contas soa-nos apenas a uma espécie de uma repetição com menos qualidade.

PS: A capa da frente é uma foto do terrível e assustador episódio do suicídio em massa de "Jonestown".

Pontos altos: "Wasting Away", "Blind and Lost", "Cockroaches"
Pontos baixos:  "Zero Tolerance"

ARCH ENEMY - Dead Eyes See No Future EP (2004) [7/10]

A ressaca de "Anthems of Rebellion"...

Este EP da popular banda de Death Metal melódico Arch Enemy foi lançado um ano depois daquele que para mim é o seu melhor álbum longa duração. Estou a falar obviamente de "Anthems of Rebellion" de 2003.

O primeiro tema "Dead Eyes See No Future" é uma poderosa malha mas que já podia ser encontrada no referido anterior álbum e na mesma versão. O que aqui se encontra de novo são três temas ao vivo gravados em Paris e 3 intrigantes covers.

"Burning Angel", "We Will Rise" e "Heart of Darkness" são os 3 temas ao vivo aqui presentes que mostram a potência, técnica e intensidade com que os Arch Enemy se apresentam à frente de um público sedento. Considero-me uma sortuda testemunha pois já tive o previlégio de ver esta banda ao vivo. "We Will Rise" é um tema incrível e também pertence ao grande "Anthems of Rebellion".

Quanto às covers, temos interpretações dos clássicos "Symphony of Destruction" dos Megadeth, "Incarnated Solvent Abuse" dos Carcass e "Kill With Power" dos Manowar. O instrumental da "sinfonia da destruição" está bastante fiel à original dos Megadeth... Mas infelizmente, a poderosa voz da grande Angela Gossow soa-me mal nesta cover. Algo não bate certo. Na cover seguinte, temos aqui o excelente guitarrista e fundador Christopher Amott a interpretar um tema da sua antiga e grande banda que são os Carcass. Esta sim já me soa muito melhor. A demência e peso deste tema foram bem reconstituídos nesta versão mais moderna. Por fim temos uma completa violação do tema "Kill With Power". Uma data de peso foi acrescentada a este tema original dos Manowar, banda que não aprecio. 

O EP trás ainda o vídeo do já referido grande tema "We Will Rise". Um verdeiro hino dos Arch Enemy.

Conseguem ser bastante interessantes estes pequenos lançamentos entre álbuns quando são bem feitos. "Dead Eyes See No Future" é um bom exemplo disso. Bom EP.

Pontos altos:  "Dead Eyes See No Future", "Incarnated Solvent Abuse"
Pontos baixos: "Symphony of Destruction"

HELLYEAH - Band of Brothers (2012) [5.5/10]

Falta qualquer coisa.

"Band of Brothers" é já o terceiro álbum destes Hellyeah. Pensava que era apenas o segundo, mas este projecto de Vinnie Paul (legendário baterista dos Pantera e Demageplan), Chad Gray e Greg Tribbett (vocalista e guitarrista dos Mudvayne respectivamente), Tom Maxwell e Bob Kakaha (Demageplan) criado em 2006, apresenta aqui a sua terceira aposta longa duração. 

Há algum Groove jeitoso, alguns riffs de guitarra engraçados e linhas de bateria que soam mesmo à Vinnie Paul na época dos grandiosos Pantera, mas falta aqui qualquer coisa... Aquele factor que nos faz ter vontade de ouvir os temas outra vez, aquele "hit factor" por assim dizer. 

Apesar de ser fã da voz diferente e original de Chad e dos primeiros álbuns da sua banda original (Mudvayne), ele aqui não me soa muito bem. Não sei se é da produção mas sinto que falta aqui aquele poder que ele já demonstrou anteriormente. 

Instrumentalmente, soa-me até por vezes que os hellyeah estão a tentar soar mais a Pantera. Infelizmente e por mais que Vinnie Paul tente, nunca chegarão lá perto. 

O tema título "Band of Brothers" foi a malha que me ficou mais na cabeça. 

"Between You And Nowhere" foi outro tema que mais se sobressaiu daqui. Não sendo nada de especial, é uma balada "fofa" e cliché mas que até é capaz de nos cativar por umas duas ou três audições. 

No final de contas, há aquela pouca vontade de voltar a tocar o disco num futuro próximo e o sentimento de que "falta aqui qualquer coisa". Não me surpreendeu. 

17/03/2013

CRADLE OF FILTH - Bitter Suites To Succubi (2001) [8/10]

Toda a esperança no eclipse.

"Bitter Suites To Succubi" é levado pela banda como um EP e não álbum, apesar de incluir 10 temas e 50 minutos de duração. Alegadamente iria incluir apenas 6 temas novos, mas a banda decidiu incluir também 3 regravações de temas antigos e uma cover, tornando isto algo um pouco longo para ser visto como um EP. Sabe-me a algo mais do que isso, sabe-me como um álbum, mas mais importante que estas denominações são os temas aqui incridos.

"Sin Deep My Wicked Angel" é o tema que abre o álbum, uma típica introdução instrumental de teclado muito "terrorenta" à boa moda dos Cradle of Filth. Segue-se "All hope in eclipse", um excelente novo tema longo e completo, que segue na linha do anterior álbum "Midian", possuidor de um som sempre caótico e com excelentes passagens e ambiências de teclado, acompanhados pelo extremo instrumental e únicas vocalizações de Dani Filth. "Born in a Burial Gown" é igualmente um muito bom novo tema e ao contrário do anterior que começa mais lento e arrastado, inicia logo em máxima potência. Até aqui está tudo a cheirar optimamente bem. De mais temas originais novos temos também a mais melódica "Suicide and Other Comforts" que começa em jeito de balada e progressivamente vai-se acrescendo toda a demência, "Dinner at Devian'ts Palace" que é novamente mais um tema apenas instrumental com umas sinistras e características ambiências, e por último, temos aquele que encerra o álbum "Scorched Earth Erotica", bastante entranhante e possuidor de bons riffs de guitarra (embora não seja o melhor que aqui ouvi).

Terminando a conversa dos novos temas originais, temos aqui também "No Time To Cry", uma interessante cover dos Sisters of Mercy. Nunca tinha gostado do tema quando primeiramente o ouvi, talvez por não ter aquele peso que os Cradle nos habituaram e mais provavelmente por ser um puto de 14 ou 15 anos. Hoje em dia apercebo-me que é uma engraçada e improvável cover.

"Summer Dying Fast", "The Principle of Evil Made Flesh" e "The Black Goddess Rises II" não são temas novos mas sim regravações de temas do primeiro álbum de 1994. A banda quis aqui dar o benefício de uma moderna e melhor produção aos três clássicos. Não vejo nada de mal nisso. Gosto da frieza e crueza das suas versões originais, mas estas versões estão também bem executadas e conseguidas.

E mais uma vez os Cradle brindam-nos com um bom álb... Correcção: suposto EP mais completo. Na minha opinião isto deveria ter sido considerado como o novo álbum sucessor a "Midian", tinha qualidade para isso.

SEPULTURA - Chaos A.D. (1994) [9/10]

Uma tempestade tropical.

"Beneath The Remains" e "Arise" tinham sido ambos excelentes álbuns de Thrash Metal, mas é aqui no "Chaos A.D." que o "boom" dos Sepultura se fez sentir e quando eles começaram o seu mais alto momento de fama até ao muito rentável "Roots".

Com o nome dos "Sepultura" a crescer ainda mais, há aqui também uma nova orientação musical. Muita da velocidade e técnica dos dois anteriores álbuns é perdida a partir daqui, o que faz com que muita gente prefira os anteriores trabalhos, principalmente aqueles fãs mais "old-school" por assim dizer. Por outro lado, com esta sonoridade mais "catchy" e "acessível", muitas portas foram abertas para novos fãs. Não se pode estar sempre a fazer a mesma coisa, há que inovar, e se há coisa que os Sepultura fizeram aqui foi inovar.

O tema "Refuse/Resist" tornou-se num verdadeiro clássico conhecido por todos, o inicio é inconfundivelmente "Sepultura". A arrancada com o riff principal da música é uma coisa tão básica e ao mesmo tempo tão bem criada que até custa querer como é que ninguém se tinha lembrado de ter feito aquilo primeiro. Este tipo de riffs simples e ritmicos viriam-se a tornar quase na imagem de marca do frontman Max Cavalera, assim como as suas simples e directas letras anarquistas e contra as políticas. Com a perda da velocidade, embora as guitarras tenham ficado bem mais simples e básicas (e graves também, com uma aparente descida de afinação), o baterista Igor Cavalera ganhou espaço para uma criatividade rítmica tremenda. A bateria é um dos factores que faz este álbum ser tão especial. 

"Territory", "Slave New World" e "Amen" continuam em perfeita sintonia com "Refuse/Resist": riffs simples, solos cheios de dinâmica de Andreas Kisser (outro importante factor neste novo som dos Sepultura), uma bateria fenomenal e uma voz de Max Cavalera em forma com refrões potentes e memoráveis que se tornariam famosos. Quem não conhece o cântico "Waaaaar for territoryyyyy" ou "Refuse! Resist!"? 

"Kaiowas" é um tema que sempre achei muito intrigante e sempre gostei desde a primeira vez que ouvi. Trata-se de uma sinistra "balada" negra e acústica. Uma percussão cheia de força aqui, assim como as cordas que soam a uma tempestade negra e tropical. É um tema que, segundo a própria banda, é inspirado numa tribo com o mesmo nome da música que vivia numa floresta. Esta tribo chamada Kaiowas, cometeu suicídio em massa em protesto ao governo que estava a tentar tirar as suas coisas e as seus crenças.

O tema seguinte denominado de "Propaganda" é uma excelente malha cheia de peso e possuidora de um groove muito forte e característico da banda. O que começa a ser intrigante aqui, é que os temas são todos muito simples e ao mesmo tempo soam-nos incrivelmente bem.

"Biotech Is Godzilla" é que já acho ter sido menos conseguido, 1:53 de muita porrada mas onde o trabalho de guitarras deixa-nos um pouco a desejar, os riffs soam-me feitos ao acaso e "toca a gravar" uns minutos depois de os fazer. A lenda do punk rock Jello Biafra colaborou aqui neste tema com a letra a pedido de Max, que já revelou ser grande fã dos Dead Kennedys (conhecida banda de Jello).

Um pouco mais à frente temos "The haunt", uma interessante cover dos New Model Army, banda essa que Igor Cavalera aprecia e consta que foi ele que "fez força" para que esta cover fosse gravada e incluída em "Chaos A.D.". Pelos vistos conseguiu o que quis. 

"Clenched Fist" termina o álbum com ainda mais marteladas de groove. Perto do fim do tema há uma espécie de breakdown, uma morte lenta de despedida.

Estes senhores tiveram então em "Chaos A.D." um dos álbuns mais importantes e dinâmicos, criaram literalmente uma nova era que influenciou muitas bandas. É quase certo que toda a gente que leu esta review já conhece o disco, caso isso não se aplique a ti, tenho três conselhos para ti que deves ter começado nesta viagem do Metal há pouco tempo: Ouve, respeita e devora este álbum, é difícil não simpatizar com ele.

Pontos altos: "Refuse/Resist", "Territory", "Slave New World", "Kaiowas", "Propaganda"
Pontos baixos: "Biotech is Godzilla"

PS: Uma curiosidade engraçada sobre a introdução... O som que ouvimos antes do primeiro tema "Refuse/Resist" é uma gravação do batimento cardíaco de Zyon Cavalera (filho de Max) quando ainda estava na barriga da mãe.


TESTAMENT - Demonic Refusal (1997) [7/10]

Os Testament... Sem thrash metal!

Os Testament são uma banda de Thrash Metal bastante conhecida e respeitada, porém, este sétimo álbum de estúdio pelos vistos irritou muita gente. Isto porque aqui os Testament fizeram algo completamente diferente do que tinham mostrado até então, largam quase por completo o seu Thrash que tão bem sabem executar e lançaram um álbum completamente direccionado no Death Metal. Foi coisa de pouca dura, até porque depois voltaram ao seu Thrash, talvez pela fraca recepção dos fãs ao álbum, que esperavam os Testament do costume e tiveram uma coisa completamente diferente e inesperada: um álbum completamente death.

O talentoso vocalista Chuck Billy aqui quase só usa a sua voz gutural. Todos os que conhecem a banda estão mais familiarizados com a sua voz rasgada toda Thrash, que é quase inaudível nestes onze temas. Outra coisa que não é muito usada aqui são solos de guitarra, coisa que os Testament sempre usaram com fartura. Foi talvez uma época em que os elementos se fartaram de tanto thrash metal e quiseram experimentar qualquer coisa nova. Para mim resultou. 

O primeiro tema-título "Demonic Refusal" rasga-se depois duma introdução com uma contagem decrescente com piada ("10... 9... 8... 7... 6... 6... 6..."). Rapidamente percebemos que isto são uns Testament muito diferentes. Muito Groove, vocalizações monstruosas e riffs de guitarra cheios de peso são prometidos aqui. Ambiências por vezes até diabólicas são criadas neste disco também.

Diferente nem sempre é mau. Esta competente banda demonstra aqui que sabe e muito bem executar dois diferentes sub-géneros do Metal sem fracassar. Não tiveram medo de fazer alguma coisa totalmente diferente daquilo que seria suposto fazerem e do que toda a gente esperava. Contudo, rapidamente voltaram às suas raízes do Thrash Metal (que ainda hoje muito bem praticam).

16/03/2013

ANDREAS KISSER – Hubris I & II (2009) [9/10]

Uma obra de arte de muita sabedoria e sensibilidade.

Este é o primeiro e único álbum a solo até ao momento de Andreas Kisser, conhecido guitarrista no panorama metálico pelo seu lugar nos Sepultura desde o seu segundo álbum “Schizophrenia” de 1987. “hubris I & II” é dividido em dois cds, sendo que o primeiro é mais baseado num Rock acompanhado de bateria, baixo, e por vezes teclas e voz de vários convidados ou mesmo de Andreas. O segundo disco é composto por baladas apenas com sons de guitarra limpos à laia de umas boas “Kaiowas”, se é que me faço entender.

Após ouvir o primeiro disco é quase inevitável o enorme talento deste senhor, possuidor de um estilo de guitarra bastante personalizado e capaz de criar aqui sozinho, excelentes temas carregados de bons riffs e solos extraordinariamente diferentes. Apesar de adorar o disco 1, é no segundo que somos induzidos na sua maior sensibilidade e criatividade com um punho de grandes temas acústicos instrumentais.

“Eu humano” é uma malha cantada em português e completamente conseguida. Baseada num só riff com cheiro a punk rock que se repete constantemente, todos os desenhos de guitarra colocados em cima, assim como a voz protestante de Andreas, fazem deste um dos melhores temas daqui.

“Virgulandia” é já cantado em inglês e merece ser mencionado. Uma grande e contagiante malha, possuidora duma muito boa voz limpa convidada. Apesar de melódico tem alguns riffs que já nos dão um cheiro aos Sepultura. Na verdade, até acho que esta música poderia ser um tema dos Sepultura, caso fosse Derrick Green a cantar.

“God’s Laugh” é bastante boa também, possuindo um excelente e magnífico trabalho de guitarra de Andreas Kisser, o “rei” deste “hubris”. Conta também com outra voz convidada que desta vez faz uma espécie de rap protestante cantado em português, falando do povo e das favelas do Brasil.

Não tirando o valor a estes 3 temas do primeiro disco que mencionei, é em “Em busca do ouro” que este excelente primeiro disco vê o seu ponto mais alto. É um tema onde poucas palavras podem descrever a sua beleza. Bastante sereno de início, o tema vai progressivamente ganhando uma força tremenda, onde a bela e única voz de Zé Ramalho destila um misto de tristeza e inspiração.

Do segundo disco é muito difícil mencionar uns dois ou três temas que tenha gostado mais, são todos muito bons. Temos aqui algo que não só os fãs do trabalho de Kisser mas sim todas as pessoas que afirmam gostar de música deveriam de ouvir. Não há espaço para vozes aqui, excetuando o último tema. De resto, todas as emoções são transmitidas principalmente pelas excelentes guitarradas límpidas e cristalinas de Kisser.

“Worlds Apart” é lindíssima e conta também com um grande trabalho de teclas. “Breast Feeding” é uma potente fusão, roçando até um pouco de Bossa Nova por vezes. “Armonia” e “Mythos” são duas curtas faixas de pouco mais de um minuto e são ambas de arrepiar todos os pelos do braço, dois temas incríveis e apaixonantes. Incrível e apaixonante… São os dois adjetivos mais adequados para descrever este segundo disco de “hubris I & II”.

Uma obra de arte de muita sabedoria e sensibilidade, deixando-nos a pedinchar por mais um álbum a solo deste grande artista brasileiro que carrega o nome dos Sepultura de hoje em dia.

NIRVANA – MTV Unplugged In New York (1994) [8.5/10]

Desta ninguém estava à espera.

Quem diria que um unplugged dos Nirvana iria resultar tão bem? Uma banda que chegou a uma fama enorme pela sua atitude e pelos seus temas de 3 riffs e meio com distorção, mostra-se aqui numa versão acústica e improvável mas muito boa.

O reportório ao contrário do que muitas pessoas pensavam, não consiste em “Smells Like Teen Spirits” da vida. Os Nirvana têm aqui a boa ideia de não tocar apenas os temas de maior sucesso em acústico, mas sim de ir buscar aqueles temas mais melódicos em que a conversão para esta versão seria mais adequada e além disso, a ideia de irem buscar covers de que ninguém esperaria.

“Something In The Way”, “Penoroyal Tea” e “All Apologies” são excelentes exemplos dos tais temas de conversão mais fácil que falei.

“Jesus Doesn’t Want Me For A Sunbeam” conta com um acordeão e celo extra e é uma muito boa versão de um tema antigo e católico. Kurt Cobain refere ao público que eles tocam este tema na versão em que os Vaselines tocam, banda que os Nirvana já tinham mostrado o seu apreço com outras covers deles. 

“The Man Who Sold the World” está também uma cover muito conseguida de David Bowie.  

“Plateau”, “Oh Me” e “Lake of Fire” são três covers seguidas dos Meat Puppets e são as três bastante boas e sentidas, principalmente a “Oh Me”. Um excelente tributo que conta até com os irmãos Curt e Cris Kirkwood (elementos dos Meat Puppets) a tocar guitarras nestes três temas com os Nirvana.

Este muito bem recebido “unplugged” termina em grande força com o tema tradicional “Where Did You Sleep Last Night”, seguindo-se de um forte e merecido aplauso do público limitado e muito sortudo também.

Uma coisa que à primeira vista não iria resultar, mas que acabou por se tornar numa improvável vitória dos “monstros mainstream” que são os Nirvana. RIP Cobain.

15/03/2013

STATIC-X - Beneath... Between.. Beyond... (2004) [6.5/10]

Uma típica colecção de temas inéditos, demos e versões remisturadas.

Os Static-X tiveram em "Wisconsin Death Trip" uma estreia bastante original, no sucessor "Machine" tiveram um bom disco e estiveram no seu melhor no terceiro álbum "Shadow Zone". Esta compilação "Beneath... Between... Beyond" sucede o melhor álbum dos Static-X. É aquilo que vem antes da sua "queda". Serve quase como um divisor entre os Static-X que interessão (os 3 primeiros discos) e os que não interessam (tudo o que veio depois disto).

O que se pode encontrar aqui são diversos temas raros que nunca foram lançados em álbuns, algumas versões "remix" e "demo" e umas covers. O primeiro tema "Breathe" começa tipicamente Static-X.... Muito Nu Metal traçado com muito Industrial, influencias tecno, baixo e guitarras simples e extremamente rítmicas, uma bateria muito dançável e uma diferente voz que dá uma dose de originalidade maior ao grupo. "Deliever Me" e "Anything But This" são os meus favoritos destes primeiros oito temas raros (B-sides, músicas de bandas sonora ou temas de singles).

Seguem-se dois remixes de dois temas do primeiro álbum, um de "Push It" e outro de "I'm With Stupid", coisa que não apreciei muito. Aconselho os temas na sua versão original e não nestas versões esquisitas deste álbum.

Após os remixes vêm 3 covers: uma de Ministry, outra de Black Sabbath e por último, uma dos Ramones. São as três engraçadas, os Static-X conseguiram meter os três temas numa versão completamente sua. Para ajudar à festa, o Burton C. Bell (vocalista dos Fear Factory) é um convidado na cover de Ministry.

Para concluir esta compilação temos 5 demo-versions de temas já lançados em álbuns. É giro ouvir uma vez essas versões mais cruas dos temas, mas não passa disso... As de estúdio estão bem superiores. A "New Pain" é um belo tema que aqui pode ser ouvido em versão "demo", mas nada como a versão de estúdio.

É interessante para quem gosta realmente desta banda. Para quem está a conhecer os Static-X, este não é um bom primeiro álbum para se ouvir, comecem com o "Wisconsin Death Trip", "Machine" ou "Shadow Zone" que vão sair melhor servidos.

Pontos altos: "Deliver Me", "Anything But This", "New Pain (demo version)"
Pontos baixos: "Push It (JB Death Trande Mix)", "Im With Stupid (Paul Barker Mix)"