27/05/2013

SEPULTURA - Roots (1996) [8/10]

O fim da era "Max" dos Sepultura.

Como toda a gente sabe, este é o último disco dos Sepultura com o front-man Max Cavalera que muitos consideravam ser a alma dos Sepultura. Este foi  então o fim de uma era para os Sepultura, que mudariam completamente com a entrada de um novo front-man.

Longe já iam os tempos de Thrash Metal dos álbuns "Beneath The Remains" e "Arise"... Se "Chaos A.D." já tinha mostrado novas tendências das sonoridades mais modernas, "Roots" virou um disco bastante moderno com pouco ou nada do que restava da antiga sonoridade. Os Sepultura parecem mesmo ter sido influenciados pelas novas bandas do Nu Metal que aparecem, tomando os Korn ou Deftones como exemplos. O que antes era um Thrash Metal de estruturas mais complexas, virou numa sonoridade bastante mais simples e minimalista... Completamente direccionada em Groove Metal. Há também as influencias do Nu Metal e alguma pitada de hardcore, assim como algumas influências de ritmos brasileiros principalmente gerados pela bateria, que volta novamente a ter um papel de destaque tal como em "Chaos A.D.". 

Na verdade, acho que foi a bateria que salvou tudo isto. Se não fosse o Iggor Cavalera a aplicar os seus toques inovadores e característicos, "Roots" não passaria de um disco medíocre, pois a nível de guitarras não o podemos chamar nenhuma obra prima... Os riffs são bastante básicos e não tem grande essência, mas na mistura com toda a ambiência e pela espectacular percussão eles passam mais "disfarçados". O clássico tema de abertura "Roots Bloody Roots" é um excelente exemplo disso.

"Attitude" e "Cut-Throat" são também duas boas malhas mid-tempo concentradas no Groove, com partes bastante capazes de nos prender a atenção. "Ratamahatta" é outro tema dos mais conhecidos, algo mais alegre e com a participação do respeitado músico brasileiro Carlinhos Brown. "Breed Appart", "Straighthate" e "Spit" são também engraçados e direccionados no Groove mid-tempo

"Lookaway" conta com a participação de DJ Lethal (da porcaria dos Limp Bizkit) a fazer uns desenhos e com as vozes adicionais de Jonathan Davis (Korn) e Mike Patton (Faith No More). Apesar da coisa soar interessante com a participação dos dois últimos nomes mencionados, a coisa não parece ter funcionado muito bem... "Lookaway" é um tema longo, repetitivo e algo aborrecido, pouco se passa nele. Deve ter sido feito rapidamente e não se deve ter pensado muito nele.

"Dusted" é um tema bastante Nu Metal, um excelente exemplo da sonoridade bem mais actual que os Sepultura tomaram na altura. "Born Stubborn" continua com mais peso moderno e segue-se a belíssima faixa instrumental "Jasco", que, consiste numa bonita e espiritual guitarrada acústica de Andreas Kisser.

Segue-se aquilo que deve ter sido uma experiência muito boa para os Sepultura... "Itsári" foi gravada numa espécie de jam com os Xavantes, uma tribo brasileira. É algo do estilo "Kaiowas" do disco anterior, mas na minha opinião não chega lá perto. Sempre adorei a ambiência da "Kaiowas" e acho-a bastante superior a este jam com os Xavantes.

Depois de dois temas completamente diferentes que deveriam estar mais separados e não seguidos na tracklist, "Ambush" e "Endangered Species" esfregam-nos mais Groove na cara enquanto que "Dictatorshit" (de apenas um minuto e meio) termina a coisa de um modo mais acelerado e hardcore.

Apesar de se chamar "Roots", parece que a banda se afastou bastante das suas raízes Thrash com este disco. É portanto um disco bastante diferente de todos os outros de Sepultura. Foi mesmo uma entrega total à nova moda, o que deve ter expulsado muitos fãs e angariado muitos... Impossível agradar a todos portanto. 

Apesar de preferir o "Chaos AD", acho que "Roots" tem momentos bastante bons e foi um disco bastante inovador e importante para todo o Metal. Foi também o ponto de viragem para os Sepultura, que depois com a saída do Max, começaram basicamente uma nova era que ainda hoje é muito criticada, enquanto que Max criou depois os Soulfly e bem mais tarde os Cavalera Conspiracy.

Pontos altos: "Attitude", "Breed Appart", "Straighthate" e "Jasco"



AGNOSTIC FRONT - Warriors (2007) [7/10]

New York hardcore ainda vive.

Os Agnostic Front são bastante respeitados e são considerados uns pioneiros do seu estilo. Bastante longe da simplicidade e primitividade dos primeiros trabalhos, este nono trabalho dos Agonistic intitulado de "Warriors" mostra-nos um lado mais trabalhado e maduro da banda, consequência de muitos anos de existência. 

Todos os temas têm aquela batida punk/hardcore, mas várias vezes é bastante sentido o crosshover thrash metal. Pode-se dizer que é um trabalho bastante "metálico" dos Agnostic Front... Existe muito Metal aqui. Talvez exista Metal em igual quantidade do que há de hardcore (que melhor os caracteriza). Todos os temas rondam apenas os dois minutos, bastante curtos e directos como manda a lei.

Uma nota muito positiva para a produção do disco, tudo soa como deveria soar aqui e o som está bastante límpido. A bateria está também em grande aqui, inclui até por vezes uns double-bass bastante interessantes. As guitarras estão também inspiradas com alguns bons riffs ora trashalhados ora hardcore, mas também há coisas um pouco "esquécivéis" no que toca a elas. A controversa e estranha voz de Roger Miret continua igual a sempre... Ou se gosta ou não. Sempre foram umas vocalizações pouco vulgares e por vezes "irritantes" para muitos.

O tema mais amigo do ouvido é "For My Family", tem um refrão bastante cantável e uma ambiência porreira. É até bastante comercial, com melodias capazes de nos ficar na memória. O primeiro tema "Addiction" e "Outraged" são também para mim duas faixas que se destacaram, já numa toada mais directa e pesada.

SEPULTURA - Schizophrenia (1987) [8/10]

Tonelada de riffs sempre a rasgar.

É aqui neste disco que sucede o primeiro EP "Bestial Devastation" e primeiro álbum "Morbid Visions" que o line-up clássico dos Sepultura se cria com a entrada de Andreas Kisser para as guitarras... E que aquisição! A junção de  Max e Igor Cavalera, Andreas Kisser e Paulo Jr. é para muitos a verdadeira essência dos Sepultura, e foi com este line-up que os clássicos Arise, Chaos AD ou Roots foram lançados. Contudo, "Schizophrenia" ainda longe da enorme fama que iriam ganhar, os Sepultura parecem começar a conhecer qual o caminho que vão tomar.

Depois da pequena intro de terror algo cinematográfica (a lembrar o filme clássico "Psycho" na famosa cena da banheira), "From The Past Comes The Storms" entra a matar com riffs esmagadores numa toada de death/thrash, uma bateria bastante acelerada e excelentes vocalizações de Max Cavalera. Conseguimos sentir um jovem Max a querer dominar o mundo com os seus Shouts primitivos, característicos e brutais. "To Te Wall", "Escape To The Void", a instrumental "Inquisition Symphony", "Screams Behind the Shadows" e "Septic Schizo" continuam a destilar da mesma maneira que o tema anteriormente referido. É um disco bastante homogéneo, todos os temas tem quase o mesmo sabor. Riffs cortantes de Max e Andreas com alguns solos bem conseguidos, um Igor sem qualquer piedade a bater na bateria e um baixo bastante competente (gravado em estúdio por Kisser e não pelo Paulo). 

"The Abyss" é um pequeno interlude com guitarradas limpas do super-talentoso Andres Kisser... Um breve momento de paz num álbum de guerra. "RIP (Rest In Pain)" volta a destruir tudo e segue-se como faixa bónus uma regravação do anterior disco, o que se viria a tornar um clássico. Estou a falar de "Troops of Doom" que está melhorada e gravada mais discretamente.

Contudo, a produção do álbum é bastante primitiva, o que faz com que "Schizophrenia" não seja muito fácil de digerir para muita gente. Ainda assim, a produção consegue superar bastante a do anterior disco "Morbid Visions" (que é uma confusão). No entanto, acho que a produção fraca fica a calhar bem nestes temas... Dá-lhes uma toada bastante negra, old-school e underground.

Uma grande evolução em comparação com o anterior, e um passo em frente para as próximas obras de arte que se viriam a tornar grandes clássicos de todo o Thrash Metal: "Beneath The Remains" e "Arise".

DUB WAR - Pain (1998) [6/10]

Engraçada fusão de Metal, Punk e Reggae.

"Pain" é um dos poucos álbuns lançados pelo grupo que originalmente decidiu criar temas mais de Nu Metal com algumas batidas mais punk rock e até com alguns beats mais à hip hop... E em cima de tudo isto está uma voz completamente "Ragga".

É portanto uma mistura interessante, uma salada russa de distintos estilos. Os Dub War não são nenhuma grande obra de arte, são antes uma banda alternativa e não muito conhecida que conseguiu criar alguns temas interessantes como "Strike It", "Mental" ou "Nar Say a Ting", os meus preferidos deste disco simplesmente intitulado de "Pain".

Ora há ambiências completamente pedradas e alegres do reggae ora por vezes vezes o vocalista decide berrar e as guitarras ganham uma pedala mais Metal/Rock. Por vezes a coisa está numa onda mais Rap com alguns beats simplórios mas bem conseguidos. Não há nada de grandioso, mas também não há nada de mal aqui.

Apesar de terem terminado cedo, este projecto basicamente continuou com sob o nome de Skinred. Com o mesmo front-man Benji Webbean e outros elementos, os Skinred mantiveram mais ou menos o espírito e sonoridade dos Dub War.

NAPALM DEATH - The Code Is Red... Long Live The God (2005) [7.5/10]

"O silêncio é ensurdecedor"

Apesar de não ser dos seus melhores trabalhos, "The Code Is Red... Long Live The God" é uma competentíssima obra de brutalidade como muito bem os Napalm Death sabem criar. Os pioneiros do Grind esfregam-nos na cara mais 15 desordens a que chamamos de músicas. A época mais experimental e menos pesada dos álbuns "Diatribes" ou "Inside Torn Apart" já se foi há um bom tempo... Os ND estão de volta às sua antiga sonoridade que mistura o Grindcore com Death Metal, com temas de estruturas mais elaboradas e um peso descomunal.

"Silence is Deafening" abre a coisa com uma violência extrema e com todos os elementos que estamos habituados a ouvir em Napalm Death. São vocalizações possuídas e "muito chateadas" vindas do Mark "Barney" Greenway que chegam a meter respeito, uma bateria repleta de velocidade e blastbeats e um ambiente catastrófico causado pelo baixo e pelas guitarras que tanto veneno descolam sem piedade. "Right You Are" é pesadíssima e fica-se pelos 50 segundos, um tema que poderia muito bem ter saído de "From Enslavement to Obliteration" de 1988.

"Diplomatic Immunity" é outro tema de menção obrigatória, começa em grande velocidade e pelo meio é gerado um Groove bastante "catchy". "Pledge Yourself to You" é um tema completamente negro, com acordes que roçam o Black Metal que dão caminho para outros riffs mais hardcore/crust. Jeff Walker dos Carcass é convidado neste tema, partilhando as vozes com Barney. Jamey Jasta dos Hatebreed e Jello Biafra dos Dead Kennedys também são convidados noutros temas, oferencendo também vozes adicionais e um interesse extra.

É para o fim que há um dos pontos altos do disco: "Morale". Um tema um pouco invulgar quando se fala em Napalm Death. É bastante lento e sinistro... Melódico até, que é a última coisa que se espera dos ND. Mesmo assim, toda a esquizofrenia e demência da banda continua presente neste tema estranho. Excelentes vocalizações novamente aqui, umas "spoken words" muito doentias. A faixa que vem a seguir intitulada "Our Pain is Their Power" é uma espécie de "outro" que concluí a "Morale" num ambiente bastante "noisy" e industrial, com uma ambiência macabra e desolada.

Não é o melhor trabalho que já ouvi deles, tem os seus momentos bons e os seus momentos mais desinteressantes e alguns "fillers". Contudo, não deixa de ser um disco de uma qualidade superior. "Qualidade superior" também caracteriza na perfeição estes mestres veteranos das sonoridades mais extremas.

24/05/2013

A PERFECT CIRCLE - Emotive (2004) [7/10]

Melódica-mente político.

O tempo passa rápido. Parece-me tão recente este álbum... Lembro-me perfeitamente quando saiu. Contudo, já tem quase dez anos... Mesmo assim é o último até ao momento dos A Perfect Circle. Não é um álbum "normal", é sim um disco de covers com a inclusão de dois temas novos originais. Não são versões quaisquer também, todos os temas interpretados têm a politica como temática. Pode-se dizer que é um álbum conceptual.

"Passive" e "Counting Bodies Like Sheep to the Rhythm of the War Drums" são os temas originais. O primeiro é um típico tema dos A Perfect Circle, se bem que foi originalmente criado para um projecto paralelo que não chegou a dar em nada. Esse projecto chamava-se Tapeworm e Trent Reznor dos Nine Inch Nails também estava envolvido. O segundo tema de título gigante é que tem aquele factor mais inovador, é uma espécie de um remix bastante industrial do tema "Pet" do anterior disco "Weak And Powerless". Um tema bastante conseguido e reproduzido num ambiente caótico bastante diferente da toada original... Lembra até os já mencionados Nine Inch Nails ou até uns Marilyn Manson em certas partes.

Tudo o resto são as dez covers políticas. "Annihilation" (dos Cruxifix) abre o disco de uma forma bastante sugestiva e serve mais de introdução para o grande destaque que vem a seguir: "Imagine", o grande clássico de John Lennon dos gigantes da música a que chamamos de Beatles. Os A Perfect Circle conseguiram realmente criar uma excelente e modernizada versão do tema, numa toada bem depressiva e melódica.

De resto há versões de temas mais conhecidos e outros nem tanto... Vai deste a "When The Levee Breaks" que os Led Zeppelin tornaram famosa a temas de Depeche Mode, Devo ou Black Flag (esta última aqui um pouco menos conseguida).

Contudo, é no fim que a banda volta a brilhar com a cativante versão de "Fiddle And The Drum" da Joni Mitchell. O líder deste grupo (e dos Tool também) Maynard Keenan mostra o quanto vale a sua voz aqui. Na realidade o tema não tem qualquer tipo de instrumentalização, é apenas a voz que se faz sentir... E tão bem que soa só assim.

21/05/2013

SIX FEET UNDER - Undead (2012) [9/10]

E muitos anos depois... O primeiro GRANDE álbum.

Sejamos sinceros... A voz de Chris Barnes sempre foi uma das mais míticas e brutais vozes no que toca ao Death Metal. Ninguém lhe tira o mérito dos primeiros grandes trabalhos nos Cannibal Corpse, mas com os seus Six Feet Under, parece que a coisa estava difícil de atinar. E após oito álbuns de estúdio sem grande qualidade e três álbuns de covers mal recebidos, já era tempo de haver alguma coisa de padrões superiores. 

Para mim houve alguns temas engraçados mas a banda nunca teve um grande trabalho... Até este "Undead" chegar, depois de dezanove anos de carreira o que é bastante. Muito disso na minha opinião deveu-se à renovação no line-up dos SFU. O novo e muito superior baterista Kevin Talley (ex-Dying Fetus, ex-Chimaira, ex-Suffocation, etc) e a inclusão do excelente Rob Arnold (ex-Chimaira) nas guitarras (que também ficou a cargo do baixo neste disco) pareceu favorecer muito naquilo em que os Six Feet Under pecavam: O instrumental. 

Se antes os temas soavam desinteressantes e as vezes até pouco trabalhados, tudo agora soa mais inspirado e brutal. Riffs de guitarras muito melhores e uma bateria muito mais técnica e potente parecem ter dado aos Six Feet Under o seu primeiro trabalho de alta qualidade. São doze temas que cospem fogo através de um caótico Death Metal com mais intensidade no Groove do que propriamente velocidade e técnica... Se bem que este consegue ser o trabalho mais veloz e técnico comparando com todos os anteriores, há bastantes blast beats na bateria até (e muito bons) que é coisa que antes não havia.

A voz de Barnes, tal como as suas letras, continuam "brutalíssimas" como sempre, só que desta vez ele conta com temas bem melhores para colocar as suas letras diabólicas e vozes ultra-guturais em cima. 

Comparar o "Undead" a álbuns como "13" e "Bringer of Blood" é quase impossível... Sem dúvida que é bastante superior. A mudança de line-up pareceu então favorecer e muito os Six Feet Under. É pena Rob Arnold ter saído do grupo imediatamente depois deste disco, pois parece ter sido ele o principal responsável pela qualidade deste trabalho com o seu excelente trabalho de guitarras.

Pontos altos: "Frozen At The Moment of Death", "Formaldeyde", "18 Days", "Blood On My hands", "Delayed Combustion Device"

THE GATHERING - Sleepy Buildings (2004) [9/10]

Uma obra prima semi-acústica.

Eis uma banda que hoje em dia pouco ou nada tem a haver com as suas origens. Se começaram mais por tocar um Doom/Gothic Metal e até com influências Death Metal no primeiro disco, com a entrada da vocalista feminina Anneke (que entretanto já saiu três anos depois deste "Sleepy Buildings"), o som dos The Gathering foi-se moldando para um Rock Alternativo e progressivo que ainda hoje praticam. Tomaram um caminho parecido aos Anathema.

O que temos aqui não é um disco dos The Gathering em estúdio mas sim uma impecável gravação ao vivo de um concerto em acústico, onde todas as distorções usadas pela banda ficaram de parte por esta bela noite onde aconteceu este concerto de enorme qualidade. Rapidamente somos confrontados com a excelente qualidade sonora deste lançamento, é mesmo uma gravação límpida de tudo o que se passou e tudo está nivelado.

Devo confessar que adorei este disco... Está repleto de intensas melodias de muita sensibilidade onde a excelente voz de Anneke van Giersbergen se faz sentir até ao ponto de arrepiar. Umas das minhas preferidas vozes femininas. Todo o excelente instrumental está em sintonia. As guitarras e as teclas (até com a inclusão de piano) trazem-nos harmonias atmosféricas muito boas, o baixo e a bateria dão toda a pujança e ritmo enquanto que a esbelta voz predomina em cima de toda a beleza criada.

O reportório vagueia até pelos primórdios da banda tomando "The Mirror Waters" do primeiro disco como exemplo... Está numa versão completamente diferente e bem melhor. Difícil apontar favoritos, mas devo confessar que o segundo tema "Saturnine" nesta versão é um tema que oiço com bastante regularidade desde que ouvi este álbum pela primeira vez, adoro a força do refrão.

Sem dúvida que esta banda funcionou em semi-acústico, duvido que algum fã tenha ficado desiludido com esta obra prima muito sofisticada. Não só para fãs de The Gathering mas sim para todos os amantes de música.

MINISTRY - Sphinctour (1996) [6/10]

Sinistralidade ao vivo

Apesar de serem uns ícones pioneiros do Industrial Metal, dos Ministry pouco mais conheço além deste álbum ao vivo. É o único que possuo deles e por algum motivo nunca me deu vontade de os tentar aprofundar a vasta discografia muito profundamente. 

Todos os temas aqui são gravados ao vivo, mas não se trata de um concerto gravado do inicio ao fim. Todas as músicas são gravadas em localidades diferentes, desde Paris até Londres. Porém, pelo alinhamento dos temas, dá-nos a ideia que estamos a ouvir tudo como se fosse o mesmo concerto, e talvez seja a ideia que os Ministry queriam dar. Por raramente se ouvir o público ou interacção com o mesmo, isto danos até por vezes a sensação que estamos a ouvir um álbum gravado em estúdio. 

De resto, somos bombardeados com temas que na sua maioria são longos, arrastados, lentos mas pesados, com inclusão de muitos samples esquizofrénicos e vocalizações sinistras... As cordas e percussão criam igualmente uma ambiência completamente caótica e "terrorenta". "Psalm 69" e "Filth Pig" são dois dos temas que mais gostei aqui e aparentemente são também dois clássicos desta banda estranha, que por vezes tanto agrada e por outras vezes soa-nos inofensiva e capaz de não nos causar grande reacção. "Just 1 Fix" é outro grande êxito da banda e lembra-me até um pouco os Rammstein que devem ter usado os Ministry como fonte de inspiração. 

Mas é lá para o fim que chega aquele tema que gostei mais, o meu preferido dos Ministry de tudo o que conheço deles... "Scarecrow". Alguns podem achar um tema de oito minutos bastante repetitivo e chato, eu acho-o bastante conseguido e têm uma ambiência doentia e muito bem conseguida. Tudo neste tema soa-nos obscuro e sugestivo. É de facto "estranhamente" bom. 

Tirando este último tema referido, nada me prende muito atenção aqui. Não que não seja bom, mas de facto os Ministry não me conseguiram cativar muito até agora. Ainda não os compreendi, talvez precise de os aprofundar mais. "Not my cup of tea", o que pode vir a mudar talvez.

HATEBREED - The Rise of Brutality (2003) [8/10]

Uma descarga de ódio e brutalidade.

E é aqui neste terceiro disco longa duração que na minha opinião esta banda "hardcoró-metaleira" tem o auge da sua carreira. Sou fã do anterior álbum "Perseverance", mas tudo o que veio depois deste "Rise of Brutallity" para mim perdeu um pouco o brilho e aborreceu-me.

O que é que destinge os hatebreed das outras bandas que fundem o Metal com o hardcore? Talvez a voz de Jamey Jasta seja o que os torna mais distintos e o que mais de tem de valor. É sempre furiosa e muito brutal. Deveras conseguidas todas estas vocalizações de Jasta repletas de "genes". Soam ainda mais irritadas quando são dobradas em quase todos os refrões à lá punk/hardcore. 

O instrumental também é bastante brutal. Os riffs de guitarra são quase sempre simples mas bons, vagueando entre o crosshover trash metal e o hardcore, criando um ambiente cheio de Groove Metal e muito poderoso. O baixo e a bateria asseguram todo o peso profissionalmente, tendo eles mais ênfase nos inúmeros e intensos breakdowns que estão por toda a parte.

Os temas são todos curtos, de 2 ou 3 minutos e meio no máximo e até alguns com 1 minuto e tal de duração... E mais não seria preciso, iria estragar até a coisa. Os temas curtos assentam bem nos hatebreed e não imaginaria eles a fazerem músicas de 5 e 6 minutos, ia-se perder todo o feeling e começaria tudo a tornar-se repetitivo e aborrecido.

"Tear It Down" é um bom "opener" e é um tema que representa muito bem a sonoridade dos hatebreed, 50% Metal e 50% hardcore. "Straight To Your Face" e "Facing What Consumes You" sucedem e não deixam o interesse escapar, destilando muito veneno por toda a parte. "Live For This" tem mesmo cara de "single" e é talvez o mais "catchy", capaz de nos ficar sempre na cabeça após a primeira audição ("Live for this! Live! Live!"). "Doomsayer" tem um feeling bastante thrash metal por vezes. E quando se julga que estes 5 primeiros temas são o melhor que se vai encontrar e que o álbum vai cair em "mais do mesmo", surge o tema numero 9 intitulado "This is Now" que é para mim o melhor de todos e tornou-se rapidamente num clássico da banda.

Metal, hardcore, metalcore... Os hatebreed são rotulados de muita coisa, mas isso pouco interessa. "Rise Of Brutallity" é sem dúvida um bom disco e deveras pesadão... Uma descarga de ódio e brutalidade.