27/05/2013

SEPULTURA - Roots (1996) [8/10]

O fim da era "Max" dos Sepultura.

Como toda a gente sabe, este é o último disco dos Sepultura com o front-man Max Cavalera que muitos consideravam ser a alma dos Sepultura. Este foi  então o fim de uma era para os Sepultura, que mudariam completamente com a entrada de um novo front-man.

Longe já iam os tempos de Thrash Metal dos álbuns "Beneath The Remains" e "Arise"... Se "Chaos A.D." já tinha mostrado novas tendências das sonoridades mais modernas, "Roots" virou um disco bastante moderno com pouco ou nada do que restava da antiga sonoridade. Os Sepultura parecem mesmo ter sido influenciados pelas novas bandas do Nu Metal que aparecem, tomando os Korn ou Deftones como exemplos. O que antes era um Thrash Metal de estruturas mais complexas, virou numa sonoridade bastante mais simples e minimalista... Completamente direccionada em Groove Metal. Há também as influencias do Nu Metal e alguma pitada de hardcore, assim como algumas influências de ritmos brasileiros principalmente gerados pela bateria, que volta novamente a ter um papel de destaque tal como em "Chaos A.D.". 

Na verdade, acho que foi a bateria que salvou tudo isto. Se não fosse o Iggor Cavalera a aplicar os seus toques inovadores e característicos, "Roots" não passaria de um disco medíocre, pois a nível de guitarras não o podemos chamar nenhuma obra prima... Os riffs são bastante básicos e não tem grande essência, mas na mistura com toda a ambiência e pela espectacular percussão eles passam mais "disfarçados". O clássico tema de abertura "Roots Bloody Roots" é um excelente exemplo disso.

"Attitude" e "Cut-Throat" são também duas boas malhas mid-tempo concentradas no Groove, com partes bastante capazes de nos prender a atenção. "Ratamahatta" é outro tema dos mais conhecidos, algo mais alegre e com a participação do respeitado músico brasileiro Carlinhos Brown. "Breed Appart", "Straighthate" e "Spit" são também engraçados e direccionados no Groove mid-tempo

"Lookaway" conta com a participação de DJ Lethal (da porcaria dos Limp Bizkit) a fazer uns desenhos e com as vozes adicionais de Jonathan Davis (Korn) e Mike Patton (Faith No More). Apesar da coisa soar interessante com a participação dos dois últimos nomes mencionados, a coisa não parece ter funcionado muito bem... "Lookaway" é um tema longo, repetitivo e algo aborrecido, pouco se passa nele. Deve ter sido feito rapidamente e não se deve ter pensado muito nele.

"Dusted" é um tema bastante Nu Metal, um excelente exemplo da sonoridade bem mais actual que os Sepultura tomaram na altura. "Born Stubborn" continua com mais peso moderno e segue-se a belíssima faixa instrumental "Jasco", que, consiste numa bonita e espiritual guitarrada acústica de Andreas Kisser.

Segue-se aquilo que deve ter sido uma experiência muito boa para os Sepultura... "Itsári" foi gravada numa espécie de jam com os Xavantes, uma tribo brasileira. É algo do estilo "Kaiowas" do disco anterior, mas na minha opinião não chega lá perto. Sempre adorei a ambiência da "Kaiowas" e acho-a bastante superior a este jam com os Xavantes.

Depois de dois temas completamente diferentes que deveriam estar mais separados e não seguidos na tracklist, "Ambush" e "Endangered Species" esfregam-nos mais Groove na cara enquanto que "Dictatorshit" (de apenas um minuto e meio) termina a coisa de um modo mais acelerado e hardcore.

Apesar de se chamar "Roots", parece que a banda se afastou bastante das suas raízes Thrash com este disco. É portanto um disco bastante diferente de todos os outros de Sepultura. Foi mesmo uma entrega total à nova moda, o que deve ter expulsado muitos fãs e angariado muitos... Impossível agradar a todos portanto. 

Apesar de preferir o "Chaos AD", acho que "Roots" tem momentos bastante bons e foi um disco bastante inovador e importante para todo o Metal. Foi também o ponto de viragem para os Sepultura, que depois com a saída do Max, começaram basicamente uma nova era que ainda hoje é muito criticada, enquanto que Max criou depois os Soulfly e bem mais tarde os Cavalera Conspiracy.

Pontos altos: "Attitude", "Breed Appart", "Straighthate" e "Jasco"



AGNOSTIC FRONT - Warriors (2007) [7/10]

New York hardcore ainda vive.

Os Agnostic Front são bastante respeitados e são considerados uns pioneiros do seu estilo. Bastante longe da simplicidade e primitividade dos primeiros trabalhos, este nono trabalho dos Agonistic intitulado de "Warriors" mostra-nos um lado mais trabalhado e maduro da banda, consequência de muitos anos de existência. 

Todos os temas têm aquela batida punk/hardcore, mas várias vezes é bastante sentido o crosshover thrash metal. Pode-se dizer que é um trabalho bastante "metálico" dos Agnostic Front... Existe muito Metal aqui. Talvez exista Metal em igual quantidade do que há de hardcore (que melhor os caracteriza). Todos os temas rondam apenas os dois minutos, bastante curtos e directos como manda a lei.

Uma nota muito positiva para a produção do disco, tudo soa como deveria soar aqui e o som está bastante límpido. A bateria está também em grande aqui, inclui até por vezes uns double-bass bastante interessantes. As guitarras estão também inspiradas com alguns bons riffs ora trashalhados ora hardcore, mas também há coisas um pouco "esquécivéis" no que toca a elas. A controversa e estranha voz de Roger Miret continua igual a sempre... Ou se gosta ou não. Sempre foram umas vocalizações pouco vulgares e por vezes "irritantes" para muitos.

O tema mais amigo do ouvido é "For My Family", tem um refrão bastante cantável e uma ambiência porreira. É até bastante comercial, com melodias capazes de nos ficar na memória. O primeiro tema "Addiction" e "Outraged" são também para mim duas faixas que se destacaram, já numa toada mais directa e pesada.

SEPULTURA - Schizophrenia (1987) [8/10]

Tonelada de riffs sempre a rasgar.

É aqui neste disco que sucede o primeiro EP "Bestial Devastation" e primeiro álbum "Morbid Visions" que o line-up clássico dos Sepultura se cria com a entrada de Andreas Kisser para as guitarras... E que aquisição! A junção de  Max e Igor Cavalera, Andreas Kisser e Paulo Jr. é para muitos a verdadeira essência dos Sepultura, e foi com este line-up que os clássicos Arise, Chaos AD ou Roots foram lançados. Contudo, "Schizophrenia" ainda longe da enorme fama que iriam ganhar, os Sepultura parecem começar a conhecer qual o caminho que vão tomar.

Depois da pequena intro de terror algo cinematográfica (a lembrar o filme clássico "Psycho" na famosa cena da banheira), "From The Past Comes The Storms" entra a matar com riffs esmagadores numa toada de death/thrash, uma bateria bastante acelerada e excelentes vocalizações de Max Cavalera. Conseguimos sentir um jovem Max a querer dominar o mundo com os seus Shouts primitivos, característicos e brutais. "To Te Wall", "Escape To The Void", a instrumental "Inquisition Symphony", "Screams Behind the Shadows" e "Septic Schizo" continuam a destilar da mesma maneira que o tema anteriormente referido. É um disco bastante homogéneo, todos os temas tem quase o mesmo sabor. Riffs cortantes de Max e Andreas com alguns solos bem conseguidos, um Igor sem qualquer piedade a bater na bateria e um baixo bastante competente (gravado em estúdio por Kisser e não pelo Paulo). 

"The Abyss" é um pequeno interlude com guitarradas limpas do super-talentoso Andres Kisser... Um breve momento de paz num álbum de guerra. "RIP (Rest In Pain)" volta a destruir tudo e segue-se como faixa bónus uma regravação do anterior disco, o que se viria a tornar um clássico. Estou a falar de "Troops of Doom" que está melhorada e gravada mais discretamente.

Contudo, a produção do álbum é bastante primitiva, o que faz com que "Schizophrenia" não seja muito fácil de digerir para muita gente. Ainda assim, a produção consegue superar bastante a do anterior disco "Morbid Visions" (que é uma confusão). No entanto, acho que a produção fraca fica a calhar bem nestes temas... Dá-lhes uma toada bastante negra, old-school e underground.

Uma grande evolução em comparação com o anterior, e um passo em frente para as próximas obras de arte que se viriam a tornar grandes clássicos de todo o Thrash Metal: "Beneath The Remains" e "Arise".

DUB WAR - Pain (1998) [6/10]

Engraçada fusão de Metal, Punk e Reggae.

"Pain" é um dos poucos álbuns lançados pelo grupo que originalmente decidiu criar temas mais de Nu Metal com algumas batidas mais punk rock e até com alguns beats mais à hip hop... E em cima de tudo isto está uma voz completamente "Ragga".

É portanto uma mistura interessante, uma salada russa de distintos estilos. Os Dub War não são nenhuma grande obra de arte, são antes uma banda alternativa e não muito conhecida que conseguiu criar alguns temas interessantes como "Strike It", "Mental" ou "Nar Say a Ting", os meus preferidos deste disco simplesmente intitulado de "Pain".

Ora há ambiências completamente pedradas e alegres do reggae ora por vezes vezes o vocalista decide berrar e as guitarras ganham uma pedala mais Metal/Rock. Por vezes a coisa está numa onda mais Rap com alguns beats simplórios mas bem conseguidos. Não há nada de grandioso, mas também não há nada de mal aqui.

Apesar de terem terminado cedo, este projecto basicamente continuou com sob o nome de Skinred. Com o mesmo front-man Benji Webbean e outros elementos, os Skinred mantiveram mais ou menos o espírito e sonoridade dos Dub War.

NAPALM DEATH - The Code Is Red... Long Live The God (2005) [7.5/10]

"O silêncio é ensurdecedor"

Apesar de não ser dos seus melhores trabalhos, "The Code Is Red... Long Live The God" é uma competentíssima obra de brutalidade como muito bem os Napalm Death sabem criar. Os pioneiros do Grind esfregam-nos na cara mais 15 desordens a que chamamos de músicas. A época mais experimental e menos pesada dos álbuns "Diatribes" ou "Inside Torn Apart" já se foi há um bom tempo... Os ND estão de volta às sua antiga sonoridade que mistura o Grindcore com Death Metal, com temas de estruturas mais elaboradas e um peso descomunal.

"Silence is Deafening" abre a coisa com uma violência extrema e com todos os elementos que estamos habituados a ouvir em Napalm Death. São vocalizações possuídas e "muito chateadas" vindas do Mark "Barney" Greenway que chegam a meter respeito, uma bateria repleta de velocidade e blastbeats e um ambiente catastrófico causado pelo baixo e pelas guitarras que tanto veneno descolam sem piedade. "Right You Are" é pesadíssima e fica-se pelos 50 segundos, um tema que poderia muito bem ter saído de "From Enslavement to Obliteration" de 1988.

"Diplomatic Immunity" é outro tema de menção obrigatória, começa em grande velocidade e pelo meio é gerado um Groove bastante "catchy". "Pledge Yourself to You" é um tema completamente negro, com acordes que roçam o Black Metal que dão caminho para outros riffs mais hardcore/crust. Jeff Walker dos Carcass é convidado neste tema, partilhando as vozes com Barney. Jamey Jasta dos Hatebreed e Jello Biafra dos Dead Kennedys também são convidados noutros temas, oferencendo também vozes adicionais e um interesse extra.

É para o fim que há um dos pontos altos do disco: "Morale". Um tema um pouco invulgar quando se fala em Napalm Death. É bastante lento e sinistro... Melódico até, que é a última coisa que se espera dos ND. Mesmo assim, toda a esquizofrenia e demência da banda continua presente neste tema estranho. Excelentes vocalizações novamente aqui, umas "spoken words" muito doentias. A faixa que vem a seguir intitulada "Our Pain is Their Power" é uma espécie de "outro" que concluí a "Morale" num ambiente bastante "noisy" e industrial, com uma ambiência macabra e desolada.

Não é o melhor trabalho que já ouvi deles, tem os seus momentos bons e os seus momentos mais desinteressantes e alguns "fillers". Contudo, não deixa de ser um disco de uma qualidade superior. "Qualidade superior" também caracteriza na perfeição estes mestres veteranos das sonoridades mais extremas.

24/05/2013

A PERFECT CIRCLE - Emotive (2004) [7/10]

Melódica-mente político.

O tempo passa rápido. Parece-me tão recente este álbum... Lembro-me perfeitamente quando saiu. Contudo, já tem quase dez anos... Mesmo assim é o último até ao momento dos A Perfect Circle. Não é um álbum "normal", é sim um disco de covers com a inclusão de dois temas novos originais. Não são versões quaisquer também, todos os temas interpretados têm a politica como temática. Pode-se dizer que é um álbum conceptual.

"Passive" e "Counting Bodies Like Sheep to the Rhythm of the War Drums" são os temas originais. O primeiro é um típico tema dos A Perfect Circle, se bem que foi originalmente criado para um projecto paralelo que não chegou a dar em nada. Esse projecto chamava-se Tapeworm e Trent Reznor dos Nine Inch Nails também estava envolvido. O segundo tema de título gigante é que tem aquele factor mais inovador, é uma espécie de um remix bastante industrial do tema "Pet" do anterior disco "Weak And Powerless". Um tema bastante conseguido e reproduzido num ambiente caótico bastante diferente da toada original... Lembra até os já mencionados Nine Inch Nails ou até uns Marilyn Manson em certas partes.

Tudo o resto são as dez covers políticas. "Annihilation" (dos Cruxifix) abre o disco de uma forma bastante sugestiva e serve mais de introdução para o grande destaque que vem a seguir: "Imagine", o grande clássico de John Lennon dos gigantes da música a que chamamos de Beatles. Os A Perfect Circle conseguiram realmente criar uma excelente e modernizada versão do tema, numa toada bem depressiva e melódica.

De resto há versões de temas mais conhecidos e outros nem tanto... Vai deste a "When The Levee Breaks" que os Led Zeppelin tornaram famosa a temas de Depeche Mode, Devo ou Black Flag (esta última aqui um pouco menos conseguida).

Contudo, é no fim que a banda volta a brilhar com a cativante versão de "Fiddle And The Drum" da Joni Mitchell. O líder deste grupo (e dos Tool também) Maynard Keenan mostra o quanto vale a sua voz aqui. Na realidade o tema não tem qualquer tipo de instrumentalização, é apenas a voz que se faz sentir... E tão bem que soa só assim.

21/05/2013

SIX FEET UNDER - Undead (2012) [9/10]

E muitos anos depois... O primeiro GRANDE álbum.

Sejamos sinceros... A voz de Chris Barnes sempre foi uma das mais míticas e brutais vozes no que toca ao Death Metal. Ninguém lhe tira o mérito dos primeiros grandes trabalhos nos Cannibal Corpse, mas com os seus Six Feet Under, parece que a coisa estava difícil de atinar. E após oito álbuns de estúdio sem grande qualidade e três álbuns de covers mal recebidos, já era tempo de haver alguma coisa de padrões superiores. 

Para mim houve alguns temas engraçados mas a banda nunca teve um grande trabalho... Até este "Undead" chegar, depois de dezanove anos de carreira o que é bastante. Muito disso na minha opinião deveu-se à renovação no line-up dos SFU. O novo e muito superior baterista Kevin Talley (ex-Dying Fetus, ex-Chimaira, ex-Suffocation, etc) e a inclusão do excelente Rob Arnold (ex-Chimaira) nas guitarras (que também ficou a cargo do baixo neste disco) pareceu favorecer muito naquilo em que os Six Feet Under pecavam: O instrumental. 

Se antes os temas soavam desinteressantes e as vezes até pouco trabalhados, tudo agora soa mais inspirado e brutal. Riffs de guitarras muito melhores e uma bateria muito mais técnica e potente parecem ter dado aos Six Feet Under o seu primeiro trabalho de alta qualidade. São doze temas que cospem fogo através de um caótico Death Metal com mais intensidade no Groove do que propriamente velocidade e técnica... Se bem que este consegue ser o trabalho mais veloz e técnico comparando com todos os anteriores, há bastantes blast beats na bateria até (e muito bons) que é coisa que antes não havia.

A voz de Barnes, tal como as suas letras, continuam "brutalíssimas" como sempre, só que desta vez ele conta com temas bem melhores para colocar as suas letras diabólicas e vozes ultra-guturais em cima. 

Comparar o "Undead" a álbuns como "13" e "Bringer of Blood" é quase impossível... Sem dúvida que é bastante superior. A mudança de line-up pareceu então favorecer e muito os Six Feet Under. É pena Rob Arnold ter saído do grupo imediatamente depois deste disco, pois parece ter sido ele o principal responsável pela qualidade deste trabalho com o seu excelente trabalho de guitarras.

Pontos altos: "Frozen At The Moment of Death", "Formaldeyde", "18 Days", "Blood On My hands", "Delayed Combustion Device"

THE GATHERING - Sleepy Buildings (2004) [9/10]

Uma obra prima semi-acústica.

Eis uma banda que hoje em dia pouco ou nada tem a haver com as suas origens. Se começaram mais por tocar um Doom/Gothic Metal e até com influências Death Metal no primeiro disco, com a entrada da vocalista feminina Anneke (que entretanto já saiu três anos depois deste "Sleepy Buildings"), o som dos The Gathering foi-se moldando para um Rock Alternativo e progressivo que ainda hoje praticam. Tomaram um caminho parecido aos Anathema.

O que temos aqui não é um disco dos The Gathering em estúdio mas sim uma impecável gravação ao vivo de um concerto em acústico, onde todas as distorções usadas pela banda ficaram de parte por esta bela noite onde aconteceu este concerto de enorme qualidade. Rapidamente somos confrontados com a excelente qualidade sonora deste lançamento, é mesmo uma gravação límpida de tudo o que se passou e tudo está nivelado.

Devo confessar que adorei este disco... Está repleto de intensas melodias de muita sensibilidade onde a excelente voz de Anneke van Giersbergen se faz sentir até ao ponto de arrepiar. Umas das minhas preferidas vozes femininas. Todo o excelente instrumental está em sintonia. As guitarras e as teclas (até com a inclusão de piano) trazem-nos harmonias atmosféricas muito boas, o baixo e a bateria dão toda a pujança e ritmo enquanto que a esbelta voz predomina em cima de toda a beleza criada.

O reportório vagueia até pelos primórdios da banda tomando "The Mirror Waters" do primeiro disco como exemplo... Está numa versão completamente diferente e bem melhor. Difícil apontar favoritos, mas devo confessar que o segundo tema "Saturnine" nesta versão é um tema que oiço com bastante regularidade desde que ouvi este álbum pela primeira vez, adoro a força do refrão.

Sem dúvida que esta banda funcionou em semi-acústico, duvido que algum fã tenha ficado desiludido com esta obra prima muito sofisticada. Não só para fãs de The Gathering mas sim para todos os amantes de música.

MINISTRY - Sphinctour (1996) [6/10]

Sinistralidade ao vivo

Apesar de serem uns ícones pioneiros do Industrial Metal, dos Ministry pouco mais conheço além deste álbum ao vivo. É o único que possuo deles e por algum motivo nunca me deu vontade de os tentar aprofundar a vasta discografia muito profundamente. 

Todos os temas aqui são gravados ao vivo, mas não se trata de um concerto gravado do inicio ao fim. Todas as músicas são gravadas em localidades diferentes, desde Paris até Londres. Porém, pelo alinhamento dos temas, dá-nos a ideia que estamos a ouvir tudo como se fosse o mesmo concerto, e talvez seja a ideia que os Ministry queriam dar. Por raramente se ouvir o público ou interacção com o mesmo, isto danos até por vezes a sensação que estamos a ouvir um álbum gravado em estúdio. 

De resto, somos bombardeados com temas que na sua maioria são longos, arrastados, lentos mas pesados, com inclusão de muitos samples esquizofrénicos e vocalizações sinistras... As cordas e percussão criam igualmente uma ambiência completamente caótica e "terrorenta". "Psalm 69" e "Filth Pig" são dois dos temas que mais gostei aqui e aparentemente são também dois clássicos desta banda estranha, que por vezes tanto agrada e por outras vezes soa-nos inofensiva e capaz de não nos causar grande reacção. "Just 1 Fix" é outro grande êxito da banda e lembra-me até um pouco os Rammstein que devem ter usado os Ministry como fonte de inspiração. 

Mas é lá para o fim que chega aquele tema que gostei mais, o meu preferido dos Ministry de tudo o que conheço deles... "Scarecrow". Alguns podem achar um tema de oito minutos bastante repetitivo e chato, eu acho-o bastante conseguido e têm uma ambiência doentia e muito bem conseguida. Tudo neste tema soa-nos obscuro e sugestivo. É de facto "estranhamente" bom. 

Tirando este último tema referido, nada me prende muito atenção aqui. Não que não seja bom, mas de facto os Ministry não me conseguiram cativar muito até agora. Ainda não os compreendi, talvez precise de os aprofundar mais. "Not my cup of tea", o que pode vir a mudar talvez.

HATEBREED - The Rise of Brutality (2003) [8/10]

Uma descarga de ódio e brutalidade.

E é aqui neste terceiro disco longa duração que na minha opinião esta banda "hardcoró-metaleira" tem o auge da sua carreira. Sou fã do anterior álbum "Perseverance", mas tudo o que veio depois deste "Rise of Brutallity" para mim perdeu um pouco o brilho e aborreceu-me.

O que é que destinge os hatebreed das outras bandas que fundem o Metal com o hardcore? Talvez a voz de Jamey Jasta seja o que os torna mais distintos e o que mais de tem de valor. É sempre furiosa e muito brutal. Deveras conseguidas todas estas vocalizações de Jasta repletas de "genes". Soam ainda mais irritadas quando são dobradas em quase todos os refrões à lá punk/hardcore. 

O instrumental também é bastante brutal. Os riffs de guitarra são quase sempre simples mas bons, vagueando entre o crosshover trash metal e o hardcore, criando um ambiente cheio de Groove Metal e muito poderoso. O baixo e a bateria asseguram todo o peso profissionalmente, tendo eles mais ênfase nos inúmeros e intensos breakdowns que estão por toda a parte.

Os temas são todos curtos, de 2 ou 3 minutos e meio no máximo e até alguns com 1 minuto e tal de duração... E mais não seria preciso, iria estragar até a coisa. Os temas curtos assentam bem nos hatebreed e não imaginaria eles a fazerem músicas de 5 e 6 minutos, ia-se perder todo o feeling e começaria tudo a tornar-se repetitivo e aborrecido.

"Tear It Down" é um bom "opener" e é um tema que representa muito bem a sonoridade dos hatebreed, 50% Metal e 50% hardcore. "Straight To Your Face" e "Facing What Consumes You" sucedem e não deixam o interesse escapar, destilando muito veneno por toda a parte. "Live For This" tem mesmo cara de "single" e é talvez o mais "catchy", capaz de nos ficar sempre na cabeça após a primeira audição ("Live for this! Live! Live!"). "Doomsayer" tem um feeling bastante thrash metal por vezes. E quando se julga que estes 5 primeiros temas são o melhor que se vai encontrar e que o álbum vai cair em "mais do mesmo", surge o tema numero 9 intitulado "This is Now" que é para mim o melhor de todos e tornou-se rapidamente num clássico da banda.

Metal, hardcore, metalcore... Os hatebreed são rotulados de muita coisa, mas isso pouco interessa. "Rise Of Brutallity" é sem dúvida um bom disco e deveras pesadão... Uma descarga de ódio e brutalidade.

09/05/2013

SUFFOCATION - Despise The Sun EP (1998) [8.5/10]

Desprezando o sol.

É um EP de cinco temazinhos e foi o último trabalho dos Suffocation antes e acabarem. Felizmente regressaram quatro anos depois e têm até então lançado álbuns muito bem recebidos. Em "Despise The Sun" os Suffocation dizem aqui um adeus com regresso de uma forma como muito bem sabem: Brutal. 

Como não podia deixar de ser estes dezasseis minutos são extremamente acelerados e possuidores de uma técnica instrumental indomável. É Technical/Brutal Death Metal duro e pesadíssimo. Além de toda a sonoridade completamente madura e de muita experiência na bagagem, as vocalizações guturais e impiedosas estão também ao mais alto nível.

Tudo está muito bom no que toca a trabalho de estúdio. A produção do aclamado Scott Burns dá ainda um sabor completamente Old School a este curto trabalho dando-lhe ainda mais valor... As guitarras e baixo pujantes estão com uma distorção severamente death, a bateria soa bastante diabólica e quase desumana de tão energética que ela é... E a voz está sem grandes efeitos ou duplicações, tudo como manda a boa lei do Old School Death. 

"Funeral Inception" abre com um "quote" do filme The Usual Suspects e logo de seguida a frase é atropelada por todo o peso descomunal dos Suffocation, com os seus riffs pesadões colados a uma bateria fenomenal. "Devoid of Truth", "Despise The Sun" e "Bloodchurn" à semelhança do primeiro também são temas novos e muito bons, enquanto que o quinto e último tema "Catatonia" é uma regravação de um tema anteriormente editado noutro EP. 

Ainda mais impressionante do que em estúdio são ao vivo estes Suffocation. Tive a sorte de os ver, e esta técnica e peso ao vivo é de fazer o queixo cair... Ou partir.

DARK FUNERAL - Aterra Totus Sanctus (2005) [6.5/10]

Black Metal Suéco e muito extremo.

Em primeiro lugar devo referir que apesar dos Dark Funeral terem a sua fama no Black Metal, este álbum de 2005 "Aterra Totus Sanctus" é o único que possuo e o único deles que conheço por inteiro. 

Podem não ser muitos temas que compõem este álbum, mas todos os 8 temas rondam os extensos 5 minutos de duração e são severamente directos ao assunto. Não há espaço para sinfonias ou coisas bonitas... De facto, a melodia aqui é praticamente insistente. Tudo é à base de uma descarga raivosa de satanismo e frieza. Isto não são uns Cradle of Filth ou Dimmu Borgir, aqueles riffs de guitarra mais "catchy" ou passagens épicas não vão poder encontrar aqui... É só veneno.

Os riffs de guitarra são basicamente todos naquela mesma toada extrema do Black... Frios e gélidos, cheios de raiva e tão cortantes como a ponta de uma navalha. A bateria é muito intensa e os blast's beats impressionantes estão por toda a parte, talvez até um pouco de mais. A voz aqui soa-me bastante raivosa e agressiva... Soa bastante apropriada ao primeiro tema, mas depois do segundo e terceiro, concluo que não há variação nenhuma. É um pouco repetitiva, pelo menos neste álbum que, como já referi anteriormente, é o único que conheço.

Talvez a variação ou a inclusão de elementos mais diferentes em cada tema faria o produto final melhorar pois no fim das contas, há a sensação que os temas são todos iguais ou muito parecidos. Um trabalho muito feroz e pesadíssimo sem sombra de dúvidas, o que não quer dizer que seja uma obra-prima que prevalecerá.

08/05/2013

MACHINE HEAD - Burn My Eyes (1994) [9/10]

Excelente primeiro disco.

Os Machine head neste primeiro disco, ainda longe da fama que têm hoje em dia, esfregam na cara de todos os headbangers sem qualquer piedade um primeiro disco bastante inovador, cheio de atitude e peso, metendo-os no mapa de uma das bandas a seguir religiosamente.

Embora mais tarde eles se tenham influenciado um pouco pela moda "Nu Metal" (posteriormente e felizmente regressaram depois às origens), os Machine head em "Burn My Eyes" ainda estavam longe disso. Embora soe a algo mais moderno, este disco tem uma orientação completamente Groove Metal cheio de pujança cativante... Capaz de viciar mesmo. Uma lufada de ar fresco e originalidade, uma primeira etapa de uma grande banda que ainda está em forma hoje em dia.

A bateria soa-nos muito bem, tal como todo o instrumental. Os riffs de guitarra são muito bem acompanhados pelo pujante baixo e são furiosos, inspirados, originais e com o uso de bastantes harmónicas ao jeito de Machine head. A voz do frontman Robert Flynn apresenta-se também como um ponto forte de tudo isto. Uma pitada de influências à lá Max Cavalera nos seus "Shouts" e refrões bastante cantáveis e contagiantes, mas não se colando demasiado. Os Machine head mesmo com todas as suas influências Groove/Thrash são o que são hoje em dia pela sua inovação. Ouvindo o primeiro disco deles, não nos lembra a mais nada se não eles mesmos. É raro uma banda encontrar a sua identidade e verdadeira essência tão cedo.

Os quatro primeiros temas são impressionantes. "Davidian", "Old", "A Thousend Lies" e "None But My Own" descolam um peso muito bom. São todos eles repletos de muito Groove capaz de nos fazer acabar inconscientemente a cabeça e fazer-nos ouvir os temas vezes sem conta até à exaustão. 

"The Rage To Overcome" é também muito bom e abre a coisa com um riff mesmo a lembrar uns Pantera. "Blood For Blood" começa com umas guitarradas à Slayer e é a mais thrash e acelarada... Lembra-nos até uns Exodus ou Kreator e soa-nos mais aquilo que os Machine head são hoje em dia.

Em "I'm Your God Now" os Machine provam que também conseguem fazer coisas mais calmas e não só peso bruto... É um tema mais melódico mas também com passagens pesadas. Conta com umas vocalizações mais limpas e bastante interessantes, dando-nos até por vezes um gosto mais grunge. Umas guitarradas melódicas e muito conseguidas também... É uma espécie de "One" dos Metallica para os Machine head, é o que este tema é. 

"Block" fecha a coisa também em grande estilo com uma bateria e riffs muito bons e contagiantes. Uma espécie de "Territory" dos Sepultura mais acelerada e moderna. E já mencionei 8 excelentes temas dos 11 que aqui existem, o que talvez já dê a ideia do quanto gosto deste disco de estreia dos Machine head.

Parece que pouco ou nada há a melhorar. Isto sabe-nos como os Machine head já fossem grandes e este talvez seria um quarto ou quinto álbum da banda... Mas não é, é o primeiro e é impressionante. Quando me iniciei no Metal, este foi um álbum que ouvi muita vez e sempre gostei bastante... Ao contrário de muitos, hoje em dia isto soa-me tão bom como me soava anteriormente.

Pontos altos: "Davidian", "Old", "A Thousend Lies", "Noone But My Own", "I'm Your God Now". 
Pontos baixos: -

SUICIDAL TENDENCIES - Suicidal For Life (1994) [6/10]

Um pouco em baixo de forma...

"Suicidal For Life" é o último álbum dos Suicidal Tendencies até estes terem acabado, apenas para voltarem uns anos depois com uma renovação no line up da banda. É o último álbum também a ter os membros de longa data Ricky George na guitarra principal e Robert Trujillo no baixo (este último mais conhecido por ter integrado depois os Metallica, onde ainda se encontra hoje em dia).

Infelizmente o que acontece aqui é que este álbum soa-nos a uns Suicidal Tenencies cansados e sem grande inspiração, depois de terem feito já vários bons trabalhos anteriormente a este... Tanto é que foi este o álbum com que eles cessaram funções posteriormente. Os Suicidal começaram com uma atitude mais punk/hardcore, convertendo-se depois para o Crossover Thrash Metal. Aqui já pouco sabe a isso, eles decidem ir explorando agora uma atitude mais Funk e "bem disposta", vagueando também pelo heavy, punk, thrash e hardcore. Os temas soam-nos mais "radio friendly" e sem atitude, fazendo a coisa deixar-nos uma espécie de azedo na boca. 

Mike Muir continua com as suas vocalizações bastante diferentes, brincando um pouco com as palavras numa toada de Rap ou hip hop... Mas aqui as suas letras, tal como o instrumental, parecem um pouco sem sal... Muitos "Fucked up", "bullshits", "I don't give a fuck", "motherfuckers" entre outros clichés. Instrumentalmente é de notar uma bateria competente, alguns bons solos de guitarra, um excelente trabalho de baixo do profissional Robert Trujillo (não tivesse ele hoje nos gigantes Metallica) e uns riffs engraçados que aparecem por vezes mas raramente tem o poder de nos cativar durante muito tempo. Algumas passagens mais melódicas e sinistras também são de destacar, como por exemplo nos temas "What Else Could I Do?" e "What You Need Is a Friend", facilmente dois dos melhores tema deste álbum desconsolado.

20/04/2013

BRUTAL BRAIN DAMAGE - Brain Soup (2012) [7.5/10]

A nova sensação do Death/Grind português.

É de facto raro ouvir um primeiro álbum de uma banda numa toada tão profissional, matura e bem produzida. Os Brutal Brain Damage têm em "Brain Soup" o seu álbum de estreia, contendo lá 20 temas e 26 minutos de muito peso.

A voz é uma dança entre um poderoso gutural e umas vocalizações menos graves e mais esganiçadas, ambas completam-se uma à outra na perfeição. O instrumental manifesta-se pela bateria sempre esgalhante repleta de blastbeats e de uma atitude bastante hardcore, a fazer a chamada para os bem conseguidos riffs de guitarra de Old School Death Metal, lembrando até por vezes nas partes mais lentas uns Obituary e nas partes mais aceleradas uns Suffocation antigos. Muito Groove também é sentido, não é tudo à volta da velocidade... há bastantes passagens em mid-tempo com o poder de nos contagiar.

A maioria dos temas não excede um minuto e meio. Geralmente não há muita repetição de riffs, após um ter sido descolado, passa-se sempre em frente e não há volta atrás. "Ten Ten", "Suicide Jesus", "Grunt" (excelente riff inicial 100% death), "Brain Soup" (conta com a participação do vocalista dos Grog) e "See U Later" (alligator!) são as malhas que mais me penetraram o cérebro, capaz de o moer até fazer uma sopa.

Este é portanto um muito positivo primeiro álbum dos Brutal Brain Damage, o primeiro de muitos bons trabalhos espero eu. São a nova sensação nacional das sonoridades mais extremas e a última aposta da editora Vomit Your Shirt.

label: Vomit Your Shirt

RAW DECIMATING BRUTALITY - Obra ao Diabo!!! (2011) [7.5/10]

Uma reza 100% diabólica.

Os Raw Decimating Brutality estão de volta com mais uma obra extrema e diabólica: "Obra ao Diabo!!!", o sucessor do primeiro disco "Sperm To Grind Your Ears". Faz parte também da discografia da banda uma participação com 4 temas num split cd intitulado "4 Ways of Vomits & Murders". Deduz-se portanto pelos títulos que não há qualquer espaço para romantismos e melodias, tudo aqui é furioso, pesado, veloz e "in your face".

É bastante notável a enorme evolução deste registo em relação ao anterior. Tudo soa mais trabalhado. A técnica e maturidade são superiores, os riffs de guitarra e baixo são deveras brutos e conseguidos e a fabulosa bateria acompanha a coisa de um modo bastante canibal e devorador. A voz é uma compilação de vómitos em cima de um anjo. Tudo soa diabólico aqui, não poderiam ter escolhido um melhor nome para o álbum... Isto é um pacto com o demónio em todos os níveis. 

Além da natural evolução da banda, todo o trabalho de estúdio está também melhor. Não esperem uma coisa low-fi nem nada do género, não são demos ou gravações à socapa como muito se costuma fazer neste estilo musical. Tudo aqui soa como deveria soar. As malhas estão bem produzidas não fazendo o trabalho final sair prejudicado.

Caso ainda não tenham percebido, a sonoridade aqui presente é um Brutal Death Metal com bastantes passagens grindcore e por vezes até com uma toada mais hardcore sujo e crú à laia de uns Napalm Death dos antigos. Temas curtos e directos sem exceder os dois minutos. 12 temas e 20 minutos de puro massacre.

Apesar do primeiro registo ser já bastante interessante, os Raw Decimating Brutality afirmam-se aqui sem sombras de dúvidas que não estão para brincadeiras e que a coisa ficou séria.

label: Vomit Your Shirt

 

19/04/2013

GROG - Gastric Hymns Mummified in Purulency (2010) [7.5/10]

Brutalidade sem limites e compaixão.

No que toca ao nosso lusitano Brutal Death/Grindcore, os Grog são um nome de menção obrigatória. Estão desde 1991 a propagar doença, mantêm-se firmes ainda hoje em dia e não mostram intenções de acalmar a coisa por nada. "Gastric hymns mummified in purulency" não é um álbum mas sim uma compilação lançada para comemorar os primeiros 18 anos de carreira desta "besta" do Metal português.

O primeiro tema "Anal Core", trata-se de um tema nunca antes editado e gravado em ensaio que serve como preview da sua versão original que sairia posteriormente no novo disco de originais dos Grog. Apesar de soar brutalmente bem mesmo sendo uma "rehersal track" tal como indica na contra-capa, a malha acaba de um modo um pouco anti-climático com um fade-out demasiado rápido e aparecido do nada.

Todas as faixas que se seguem são dividas em cinco capítulos (exceptuando a última). No primeiro capítulo está novamente um tema novo em versão demo que tal como "Anal Core" viria a sair em "Scooping the Cranial Insides". A bateria está bastante veloz e repleta de excelentes blast-beats, a voz gutural está bastante demente e a guitarra e baixo descolam riffs de pura podridão old-school. Este tema tem todos os elementos que caracterizam bem o som da banda.

No segundo capítulo temos um "Studio Rehersal" de 1996. São 7 temas repletos de velocidade, muito bons riffs de Death Metal que se completam com a tremenda bateria e com as desumanas vocalizações. Um capítulo muito interessante para os fãs da banda que têm uma boa captação de um antigo ensaio no estúdio deste quarteto dos diabos. Brutal Death/Grind muito bom com influências de uns primórdios Carcass e Napalm Death.

Capítulo numero três... Estão lá incluídas três interessantes covers. Uma versão impiedosamente violada de "Death Comes Ripping" dos Misfits gravada em 2006, "Introtyl" dos Agathocles e "Murder" dos Extreme Noise Terror gravadas já há mais tempo (1996). Todas as três tem uma ambiência bastante punk/hardcore capaz de fazer voar dentes num mosh... Com o óbvio elemento death/grind adicionado pelos Grog, no mosh talvez voassem cabeças e tudo.

No próximo capítulo os Grog re-editam o EP ao vivo de 1995 "Stabwounds On Your Throat". Mais 4 temas de peso duro e crú com uma qualidade de gravação mais "low-fi" aqui.

"Chapter V" é o ultimo capítulo desta compilação e termina a coisa em grande com uma excelente gravação de um concerto mais recente dos Grog de 2008. Isto conta com temas de todas as épocas da banda que até então já contava com 5 demos, 1 EP, 1 split-cd e 2 álbuns na sua discografia. É aqui que notamos o quão madura esta banda é, com os seus melhores temas gravados numa muita energética e competente devastação ao vivo.

A última faixa (e vigésima sétima do disco!) é uma gravação ao vivo de um tema da primeira demo que tem o mesmo nome da banda. É apenas uma micro-track de 4 segundos à laia da famosa "You Suffer" dos Napalm Death.

Uma coisa obrigatória para os fãs dos Grog e um bom registo para quem não os conhece também, dando uma excelente introdução à extrema banda portuguesa que merece todo o respeito que lhes é atribuído. 



18/04/2013

DEVIN TOWNSEND PROJECT - Addicted (2009) [8/10]

Viciante.

Este é um dos já muitos trabalhos da mente esquizofrénica e muito criativa de Devin Townsend. A inspiração não lhe parece faltar, nos últimos quatro anos foram já 5 o número dos álbuns lançados sobre o nome "Devin Towsend Project", sendo eles todos diferentes uns dos outros também.

Apesar de ser fã dos Strapping Young Lad, Devin parece mesmo não ter intenções de os fazer voltar mas sim concentrar-se no seu projecto a solo que se pode quase considerar uma versão mais "soft" dos SYL, se bem que por vezes não tem nada a haver. Quem conhece o músico já deve saber que ele não segue padrões nenhuns, tanto podemos ter passagens muito belas e melódicas como rapidamente pode passar um comboio e atropelar tudo subitamente com um peso descomunal. "Previsível" é uma coisa que não encontraram na música deste senhor.

"Addicted" é muito bom, e tal como o nome indica viciante. Uma explosão de metal alternativo e progressivo com uma ambiência algo industrial. É também algo bipolar. Se por vezes os temas soam-nos algo negativos e com ambiências obscuras, a faixa a seguir pode ser uma malha alegre e cheia de boas vibrações ("Bend It Like Bender!" é um excelente exemplo).

O instrumental está muito bom, ora técnico ora simplista, ora agressivo ora melódico. As guitarras estão em perfeita harmonia com as ambiências criadas pelo teclado e a bateria e baixo estão a segurar o ritmo muito bem. A inconfundível voz de Devin está como sempre bipolar: ora demente, ora bela e harmoniosa.
A produção de todo o disco está também completamente fenomenal. Tudo soa límpido e cristalino aqui. Além da produção o que também soa muito bem aqui são as vozes femininas da grandiosa Anneke van Giersbergen que colabora em massa neste álbum. As vozes da vocalista, mais conhecida no mundo do Metal pela sua passagem nos The Gathering, são sem dúvida belíssimas. Melhor ainda é que estão por toda a parte neste disco, talvez em todos se não estou em erro. Esta participação dela só veio a dar pontos ao álbum, sem a sua participação este "Addicted" embora bom, não teria tanto brilho.

Pouco ou nada há a acrescentar aqui, quem sabe.. sabe.. E Devin Townsend já por muitas vezes provou que sabe-a toda, seja a fazer Metal, Rock ou até Chill-out. Mais um bom disco de um multi-facetado músico que parece não ter intenções de parar de fazer boa música.

PS: Por algum motivo, todos os nomes dos temas terminam com um ponto de exclamação.

Pontos altos: "Addicted!", "Universe In a Ball!","Bend It Like Bender!", "Supercrush!", "Numbered!"

17/04/2013

MACHINE HEAD - Through The Ashes of Empires (2004) [9/10]

Machine Head na sua melhor forma.

"Through The Ashes of Empires" é para mim o "magnum opus" dos Machine head, o seu pique e o seu melhor trabalho. Representa sem dúvida um regresso em grande forma da banda que me tinha desiludido com o fraquito álbum anterior "Supercharger".

Se os primeiros dois álbuns de estúdio tinham uma orientação mais Groove com algum Post-trash, os dois seguintes já se tinham convertido um pouco mais em "Nu Metal" o que levou a muitas acusações de que a banda se tinha "ventido" ao que estava na moda.

Sobre este quinto disco de originais... É rapidamente perceptível que "vem aí coisa boa" quando ouvimos os primeiros acordes do primeiro tema "Imperium", um épico tema de quase seis minutos onde há espaço para tudo, repleto de peso e melodia, ambos bastantes coesos e bem executados.

Todo o álbum destila uma época muito boa da banda... Estão de volta às raízes mais Groove e retiraram um pouco das influencias Nu ou Rap Metal. Adicionaram ainda uma boa dose de maturidade e de thrash como nunca se tinha sentido em trabalhos anteriores.

"Bite The Bullet" é também um muito bom tema repleto de Groove, assim como o seguinte "Left Unfinished". Estes temas e a já mencionada faixa de abertura "Imperium" são para mim aqueles que se destacam mais aqui, mas que fique bem claro: Todos os temas tem razão de ser e parecem ter sido muito bem trabalhados e pensados, não há "fillers" para encher a coisa como tinha acontecido no trabalho anterior.

Todas as linhas de bateria estão muito bem conseguidas e perfeitamente ligadas com os excelentes e inspirados riffs de guitarra. Os solos de guitarra que estavam já em falta nos anteriores discos, estão de regresso aqui e em grande forma. O baixo assume o seu papel na perfeição e a voz única de Robert Flynn está em muito boa forma também. Além de todo o profissionalismo destes senhores, todo o trabalho de estúdio está também muito competente e à altura deste mega-álbum. Acho mesmo que foi a partir daqui que os Machine head ganharam uma reputação superior, mostrando-se como uma muito matura e original banda de Metal. Muito bom.

DEFTONES - White Pony (2000) [9/10]

RIP Chi Cheng

Em jeito de homenagem ao baixista Chi Cheng que faleceu muito recentemente depois de quatro anos em coma após um acidente de carro que levou a família à falência e a recorrer a doações de fãs e da própria banda para manter os tratamentos de Chi. Um trágico final para uma pessoa que aparentemente só tinha bondade dentro de si.

"White Pony" é para mim uma grande obra dos Deftones, o terceiro disco deles e bem mais maduro que os anteriores "Around The Fur" e "Adrenaline", sendo que a banda adicionou uma boa dose de maturidade musical e de experimentalismo aos seus temas que anteriormente eram na sua maioria "só" umas malhas (muito) interessantes de Nu Metal. Além de mais maduro, é também mais melódico.

"Feiticeira" abre o disco em grande estilo com guitarradas típicas de Deftones, linhas de bateria refinadas, um baixo competente do falecido Chi e as vocalizações únicas de Chino Moreno que sempre foram um factor muito importante no som dos Deftones. "Digital Bath" é bastante melódico e agradável, conta com excelentes ambiências difíceis de não gostar e um refrão forte.

"Elite" é o mais pesado de todo o disco, mais na onda de um "Adrenalide", repleto de gritaria e veneno... O lado rebelde dos Deftones. "RX Queen" volta a acalmar a coisa com um único beat de bateria que se prolonga durante toda a música mas que nunca nos soa repetitivo devido às excelentes vocalizações e sinistras guitarras que o acompanham. "Teenager" é também mais pesado mas não tanto como "Elite".

"Knife Party" é uma balada a 100% e um excelente exemplo de como os Deftones estão mais experimentalistas com influencias de trip hop e new wave, grande final com umas vozes completamente maradas no final. Em "Korea" a distorção nas guitarras está de volta para mais um de já bastantes bons temas neste disco. "Passenger" é bastante progressivo e experimental e conta com uma excelente participação especial de Maynard James Keenan (vocalista dos Tool e A Perfect Circle), grande dueto de vozes.

"Change (In The house of Flies)" é um hino dos Deftones e um "fan favourite" com toda a razão de ser... Grande melodia e sensibilidade nesta brilhante faixa que já me acompanha no meu mp4 há muitos anos. "Pink Maggit" fecha bem este grande álbum de um modo melódico traçado com peso lento e arrastado.

Este disco representa de facto um ponto de viragem para os Deftones e meteu-lhes no mapa como uma respeitada banda de metal alternativo bastante único e original. RIP Chi Cheng.