01/06/2013

SEPULTURA - Nation (2001) [5/10]

A nação sem pica nenhuma.

Segundo álbum da era moderna dos Sepultura com o Derrick Green na voz. "Against" não impressionou muitos, será que "Nation" compensou? Infelizmente não seria antes do seguinte álbum "Roorback" que os novos Sepultura fariam um bom disco.

"Sepulnation" é um opener bastante chato. Começa com um toque de bateria bastante característico de Igor Cavalera e a coisa parece poder ser interessante, mas após pouco tempo já temos vontade que o tema acabe o mais rápido possível. Riffs "catchy" mas repetitivos e chatos. Um tema que berra por uma potência superior que nunca aparece. "Revolt" é um tema todo hardcore que acaba antes de ficar interessante, tem apenas 50 segundos de duração. 

"Border Wars" e "Vox Populi" têm uma ambiência engraçada causada pelas guitarras e refrões groovy interessantes... São para mim, os melhores temas deste disco fracote. A última conta com o melhor solo, a lembrar até uns Slayer com os guinchos usados. 

"One Man Army", "The Ways of Faith" e "Water" contam com uns apontamentos vocais limpos interessantes. Instrumentalmente falando, conta algumas partes bastante boas mas os Sepultura por vezes prolongaram de mais a coisa...  E isso acontece com praticamente todos os temas, as boas ideias perdem-se no meio do vago. Temas como "Uma Cura", "Tribe To a Nation", "Who Must Die", "Saga" e "Reject" continuam o disco de um jeito nada memorável nem muito interessante. Pouco ou nada prevalecem na nossa memória após a audição completa do álbum.

Tal como em "Against", contam-se aqui mais duas participações especiais: Jello Biafra (Dead Kennedys) em "Politricks" e Jamey Jasta (hatebreed) em "human cause". O primeiro tema com Biafra é uma faixa lenta e pouco se passa nela. "Revolt" com Jasta, à semelhança de "Revolt", é um tema hardcore de dois riffs e meio de 50 segundos. Ambos os temas são dispensáveis e nem as participações os tornam mais valiosos. "Valtio" fecha a coisa de um modo instrumental e mais clássico, com a introdução de uma orquestra repleta de ambiências e suspance. Uma espécie de outro que conclui um disco desinteressante e chato.

30/05/2013

DEICIDE - Scars of The Cruxifix (2004) [7/10]

Nenhum clássico... Mas uma boa dose de peso "cruxificante".

"Scars of the Cruxifix" sem dúvida que é um disco bastante acelerado e extremo. O uso de bastantes double-bass e blast-beats na bateria fazem a cama, enquanto que riffs de guitarra impiedosos e vozes guturais bastante "podres" deitam-se em cima dela, desmanchando-a por completo. Apenas os solos de guitarra pomposos vão dando umas melodias esporádicas a temas de violência anormal.

Quase todas as malhas são curtas e bastante directas, não há introduções nem pausas... As nove malhas todas juntas ficam-se pelos vinte e nove minutos. É entrar a matar sem piedade até ao último suspiro. É portanto um Death Metal bastante "mau", não muito técnico nem chique... É tudo mais à base de muito peso e velocidade feroz.

O tema de abertura "Scars of the Cruxifix" abre com um riff que até lembra uns Fear Factory e é sem dúvida o mais catchy. "Fuck Your God", "Enchanted Nightmares" e "From Darkness Come" são também menções honrosas para melhor tema do disco.


SEPULTURA - Against (1998) [6.5/10]

E começam os "novos" Sepultura. 

Primeiro disco dos Sepultura sem o seu adorado front-man Max Cavalera, que por este ano teria mais sucesso de vendas com o disco de estreia dos Soulfly, do que os Sepultura com este "Against". Foi portanto uma fase complicada para a banda que se estava tentando afirmar com Derrick Green, o novo líder. A sonoridade manteve-se mais na linha de "Chaos A.D." e "Roots", com os Sepultura a continuar na aposta do Groove e hardcore mais do que na velocidade e no thrash que anteriormente faziam.

Nos últimos quatro discos dos brasileiros, os temas de abertura foram sempre músicas bastante fortes: "Beneath The Ramains", "Arise", "Refuse/Resist" e "Roots Bloody Roots"... Em "Against" e infelizmente, o tema de abertura não passa de um tema banal e genérico com feel hardcore de 2 minutos (que nada prevaleceu). O single "Choke" tem alguns bons riffs e uma boa percussão, mas perde-se um bocado na repetição e no aborrecimento. Na verdade, isto acontece com quase todos os temas... Pescam-se algumas ideias porreiras mas não há nada que se sobressaia muito. Vai tudo ficando perdido no meio das repetições e os temas tornam-se até um bocado enfadonhos até... Não conseguem cativar, que é coisa que os "antigos" Sepultura sempre fizeram e tão bem. 

De constatar duas participações que os Sepultura fizeram para apimentar um bocado este mal temperado "Against". João Gordo (dos Rastos de Porão) berra em "Reza" num tema bastante curto e hardcore que bem podia pertencer aos Ratos de Porão... Assim como acontece com a outra participação: Jason Newsted (ex-baixista dos Metallica) que se empresta em "hatred aside". Um tema com bastante cheiro a Metallica e ao seu primeiro disco "Kill Em All", quer pelos seus riffs, pela sua atitude e até pelo solo de guitarra.

Apesar de não desgostar das vozes de Green, o meu tema preferido de "Against" é sem dúvida a belíssima instrumental "Kamaitachi". Tem uma ambiência muito boa causada principalmente pela percussão de Igor Cavalera e pelos acordes de Andreas Kisser... São dois grandes músicos mas parecem ter falhado no resto dos temas. Algo falta aqui...

29/05/2013

DEFTONES - Koi No Yakan (2012) [8/10]

Dinâmico, melódico e envolvente.

Longe vão os tempos do Nu Metal em que os Deftones tinham as suas ideias engraçadas mas ainda num estado bastante fóssil e "pouco pensado". Não que "Adrenaline" ou "Around The Fur" não sejam bons discos, mas na minha opinião, a enorme maturidade e dinâmica fez-se sentir mais no seguinte "White Pony" que é para mim um excelente álbum.

O novo disco "Koi No Yakan" mostra uns Deftones em grande forma e sem se prenderem a nenhuma regra ou compromisso... Estão constantemente a inovar. A voz de Chino Moreno continua como sempre bastante característica e diferente de tudo o resto, assim como os acordes invulgares e o excelente trabalho de bateria de Abe Cunningham (que sempre foi também dos pontos fortes dos Deftones).

Os temas estão mais longos e progressivos... Muito maduros e inovadores. O primeiro tema "Swerve City" capturou-me logo a atenção com toda a sua grande ambiência, é bastante simples e ao mesmo tempo muito bom. Os seguintes "Romantic Dreams" e "Leathers" mostram também uma grande maturidade e maior complexidade nas suas estruturas em relação ao primeiro. "Poltergeist" é um favorito também, mostrando aquela faceta mais "chateada" e pesada dos Deftones... Para acalmar os ânimos o tema seguinte "Entombed" é uma calmaria. "Rosenmary" têm também uns ambientes distantes muito bons. São então os seis temas que mais me chamaram a atenção nas primeiras audições.

Os Deftones não dão sinais de fraqueza e ao contrário de muitas bandas que perdem a inspiração, estes aqui continuam a inovar e ainda são capazes de fazer bons discos. Ainda estão para às curvas.

28/05/2013

NAPALM DEATH - Utilitarian (2012) [9/10]

Ambiência catastrófica, como sempre.

Anos após anos e eis que aqui estão os pioneiros do grindcore ainda a vargalhar discos de peso extraordinário e qualidade superior. "Utilitarian" surpreendeu-me bastante, não só pela sua ambiência caótica e agonizante como por alguma inovação e experimentalismo que os Napalm Death deram a alguns dos seus temas.

"Circumspect" é uma brilhante introdução lenta que nos preparara para 15 descargas de brutalidade e muita energia. "Errors In The Signals" rebenta com todo o ambiente sugestivo de "Circumspect" e passa direito ao assunto, assim como todos os sucessores temas. "Everyday Pox" conta com um saxofone muito assustador no meio de todo o peso impiedoso. "The Wold I Feed" é um tema bastante interessante e memorável e conta também com outra inovação nos Napalm Death: O uso de umas vozes limpas muito sinistras a fazer lembrar o Burton C. Bell dos Fear Factory... A lembrar bastante até, quase que sentimentos ele presente na música. Outras vozes muito incomuns são também sentidas em "Fall on Their Swords" ou "Blank Look About Face". "Nome de Guerre" e "Opposites Repellent" tem pouco mais de um minuto e são típicas músicas dos Napalm Death old-school, onde em tão pouco tempo é gerado uma "confusão" e brutalidade imensa, com muitos blast-beats na bateria, riffs muito esganiçados e uma voz muito irritada e detentora de uma potência gigantesca. 

Tudo está em alta aqui. Dos trabalhos mais recentes dos Napalm, este "Utilitarian" é dos que mais gostei por inteiro. 

KORN - Follow The Leader (1998) [8.5/10]

Sigam os líderes do Nu Metal.

A primeira das muitas paranoias deste terceiro álbum dos Korn é as primeiras 12 faixas serem apenas 5 segundos de silêncio. É portanto a número 13 ("It's On") que começa a interessar. Rapidamente descobrimos em "Its On" que este disco está bem melhor produzido que os anteriores "Life is Peachy" e "Korn", o som está bem mais limpo e profissional que as anteriores produções de Ross Robinson.

O êxito "Freak On Leash" é sem duvida uma malha muito bem conseguida, uma inclusão obrigatória em qualquer concerto ao vivo dos Korn. O instrumental está algo industrial e sinistro, enquanto que Jonathan Davis exibe em cima a sua voz limpa característica e muito original.  "Got The Life" tornou-se também um clássico mas nunca gostei muito deste tema, sempre o achei demasiado "alegre" desde que o ouvi pela primeira vez... Contudo é severamente catchy e penetra-nos rapidamente no ouvido (sem de lá sair tão cedo).

"Dead Bodies Everywhere" é uma muito boa malha, repleta de Groove e elementos que só os Korn sabem introduzir. Em "Childreen of The Korn" temos uma sinistra fusão entre o som típico dos Korn e o hip hop (que sempre foi uma influência da banda) de Ice Cube que participa neste tema. "B.B.K." tem uma ambiência bastante boa e refrescante, uma grande malha sub-valorizada de "Follow The Leader". "Pretty" começa bem mas depois vai caindo no aborrecimento, não é das melhores criações daqui. O que também não é das melhores criações é o tema seguinte, estou a falar de "All The Family" que conta com a participação de Fred Durst dos Limp Bizkit. Um tema um bocado acriançado que também nunca gostei muito, com uma espécie de duelo entre as duas vozes que se torna um bocado irritante.

"Reclaim My Place" é "orelhuda", mas as seguintes "Justin" e "Seed" são para mim bem melhores, especialmente a última que é outro tema bastante sub-valorizado deste disco. "Seed" tinha todas as qualidades para se tornar um clássico dos Korn... Porém, é daqueles temas que nunca se fez muito caso. "Cameltosis" é interessante e mistura novamente as influências hip hop com outro rapper convidado, este aqui com uma voz menos esganiçada do que Ice Cube e mais pausada e sinistra. Excelente instrumental nesta penúltima faixa, os Korn conseguem mesmo criar ambiências completamente diferentes. "My Gift To You" termina a coisa de um modo lento, arrastado e groovy. Como faixa escondida há uma cover marada dos Cheech & Chong intitulada de "Earache My Eye".

Existem portanto várias coisas muito boas neste álbum, principalmente a sua ambiência difícil de definir.

Pontos altos: "Freak On A Leash", "B.B.K.", "Justin", "Seed", "Cameltosis"
Pontos baixos: "All In The Family"

KORN - Life Is Peachy (1996) [7/10]

"All Day I Dream About Sex"

Semelhante ao seu álbum de estreia, "Life Is Peachy" é o segundo trabalho dos Korn. Apesar de não ser tão bom, mostra também algumas boas malhas que se vieram a tornar clássicos dos Korn. Os riffs simples e paranóias de guitarras continuam enquanto a percussão e baixo pulsante em slap estão sempre a carregar tudo atrás de um modo bastante competente. A voz de Jonathan Davis aqui mostra a sua vertente mais raivosa mas continua também com muitos cleans

"Twist" é uma autêntica paranóia de introdução... Conta com um um riff simples e 100% Korn e com Jonathan Davis a cuspir ódio sem dizer nada exceptuando a palavra "Twist" no refrão da pequena faixa de um minuto. "Chi" depois arranca de um modo mais sério, uma malha ora lenta ora mais acelerada mas sempre com aquela esgana de uns jovens e originais Korn. 

Depois de mais temas do género de "Chi", encontramos a "Porno Creep", um separador instrumental engraçado e sereno. Parece ter sido sair de um filme de máfia. "Good God" abre depois em grande estilo com um riff bruto cheio de guinchos pelo meio, fazendo regressar todo o peso. "No Place To hide" é muito boa e conta com um refrão bastante cantável e memorável, tal como a perversa "A.D.I.D.A.S." que é sem dúvida uma das malhas mais aclamadas dos Korn. 

Temos aqui também pela primeira vez os Korn a fazerem covers. "Wicked" (dos Ice Cube) com a participação de Chino Moreno dos Deftones e a antiga e encurtada "Lowrider" (dos War) com o guitarrista Brian Welch a cantar. Duas experiências engraçadas. "Ass Itch" é bastante catchy e "Kill You" termina a coisa de um modo agonizante tal como a "Daddy" do anterior disco de estreia.

Embora não supere o antecessor, "Life is Peachy" continua a ser um bom trabalho dos Korn de onde várias coisas boas saíram. Continuaram também a propagar mais malhas completamente originais que apenas soam a Korn e nada mais.

Pontos altos: "Good God", "No Place To hide", "A.D.I.D.A.S", "Ass Itch"

KORN - Korn (1994) [8.5/10]

Um álbum inovador e merecedor de respeito. 

Actualmente falando, os Korn pouco ou nada me dizem... Mas durante a minha adolescência e até antes disso, eles eram como uns ídolos para mim. Este álbum de estreia foi sem dúvida uma besta de originalidade... Não seriam os Korn um dos principais ou talvez os principais responsáveis pela nova moda dos anos 90 a que chamamos de Nu Metal. 

Sem dúvida que os Korn merecem respeito pela sua originalidade. De facto, este álbum tem elementos únicos que fazem dele um clássico... A maneira estranha de como as guitarras são usadas (com afinações graves e repletas de riffs dissonantes e paranóias invulgares), um baixo a ser tocado quase sempre em slap, uma bateria competente com toques diferentes e uma voz limpa e bastante diferente de qualquer outra fazem deste álbum um clássico da nova tendência do metal. Esta tendência viria a trazer muitas bandas boas como os próprios Korn, os Deftones ou osMudvayne, mas também vinha a trazer muita merda também, tomando os Limp Biskit ou Papa Roach como enjoativos exemplos.

Após o clássico "Are You Ready???" do tema de abertura "Blind", somos bombardeados com muito peso original e simplório. Somos apresentados ao novo mundo dos Korn, onde muita gente estava mais que preparada e muitos "metaleiros" mais do old-school não estavam e não compreenderam. "Ball Tongue" e "Need To" são também para mim duas malhas bastantes repletas de bons momentos e com um Groove bastante jeitoso. "Clown" é um clássico agoniante, um tema que nos transporta para uma realidade completamente à parte onde de nos senti-mos uma vítima de bullying sem escapatória. Os conteúdos líricos de Jonathan Davis, como todos sabem, eram quase sempre inspirados em demónios dos seus passados de uma adolescência tremida e agonizante. Não há grande poesia ou ciência nas letras, é puro ódio juvenil. 

"Devine", a malha mais curta do disco, muito me fez vibrar durante vários anos. É um tema bastante simples mas repleto de pedalada e sempre foi uma das minhas músicas preferidas dos Korn. "Shoots and Ladders" é outro ponto alto obviamente, com a inclusão de outro elemento muito único vindo dos Korn: O uso de gaita de foles. Misturado com todo o peso lento, o instrumento dá uma mistura explosiva de originalidade fora do comum, assim como os "ataques líricos" de Jonathan em que ele não diz nada. O último tema "Daddy" chama também logo a atenção com a sua introdução angelical... A paz dura pouco, até porque chegamos mais tarde a uma desolação infinita pelo meio do tema, em que até gemidos de raiva e choro genuíno ouvimos.

Um álbum inovador e merecedor de respeito, uma nova era no Metal completamente diferente do Thrash, Death ou Black Metal. Infelizmente ou felizmente (porque muito do brilho estava-se a perder), penso que hoje em dia o Nu Metal morreu. Tal como o grunge rock por exemplo, foi uma fase que viveu na sua época certa mas que hoje em dia não faria qualquer sentido.

Pontos altos: "Ball Tongue", "Clown", "Devine", "Shoots and Ladders"


SIX FEET UNDER - 13 (2005) [5.5/10]

Safa-se o artwork...

Um álbum fracote dos Six Feet Under, a começar pelo título... "13"? Muito original. "Decomposition of the human race" abre a coisa com o típico death/groove lento dos Six Feet Under, sem nada que nos faça querer ouvir o tema outra vez. E é assim que o sentimento se mantém pelo resto de todos os temas. há falta de bons riffs, de coisas mais cativantes e tudo parece medíocre...

O trabalho de guitarras e bateria deixa muito a desejar, tal como a produção do trabalho... O som parece-me abafado e por vezes não soa bem. A voz de Chris Barnes é, para variar, a maior atracção dos Six Feet Under. O primeiro vocalista dos Cannibal Corpse, mesmo com o passar dos anos, continua a possuir um vozeirão gutural capaz de invocar qualquer demónio. Infelizmente não é suficiente para salvar este "13".

"Rest In Pieces" começa com um ambiente bastante "punk" até, e apesar de não ser nada de genial, é um dos temas que mais gostei daqui. "Wormfood" e "Deathklaat" também tem boas ideias, mas acaba por ser também uma coisa que não prevalece e nem nos dá vontade de ouvir novamente. "Shadow of The Reaper" é a que fica mais na cabeça pelos seus riffs mais catchy's, o que não quer dizer que seja grande coisa também.

Ás vezes parece que a coisa pede por mais velocidade... E infelizmente ela nunca chega. Parece tudo tão lento, tudo a base do mid-tempo. Um álbum sem alma e dispensável.

SOULFLY - Soulfly (1998) [7/10]

A nova era de Max Cavalera.

E eis o primeiro disco da banda que o ex-frontman dos Sepultura criara. Apesar de mais tarde o Max ter regressado às suas origens dos Sepultura com mais influências de Thrash nos Soulfly, este primeiro disco homónimo ainda estava longe disto... É completamente Nu Metal. Soa a uma continuação do "Roots" dos Sepultura, mas soa ainda mais moderno e mais entregue à nova tendência do Nu Metal.

O tema de abertura "Eye For An Eye" que tornou-se num clássico dos Soulfly, conta com um Groove bastante jeitoso ao modo de "Roots Bloody Roots" ou "Refuse/Resist"... Muito simples e ao mesmo tempo muito conseguido, estranhamente cativante... A música consiste apenas 3 riffs, e mais não foram precisos para criar um tema que prevalece. Nem tudo precisa de ser complicado para ser bom. Dino Cazares e Burton C. Bell dos Fear Factory participam neste tema mas são quase despercebidos, não noto nenhum riff assim mais do Dino e as vozes de Burton são quase despercebidas exceptuando por breves segundos nos refrões.

"No hope No fear" é outro tema dos preferidos, repleto de riffs sempre a rasgar e um bom trabalho de bateria de Roy Mayorga (que se faz sentir por todo o álbum). "Bleed" conta com uma participação de DJ Lethal e Fred Durst dos Limp Bizkit, e apesar dos seus convidados que nada me dizem, é um dos melhores temas também.

E é depois de 3 bons temas a iniciar o álbum, a coisa começa a entrar nos pontos fracos. Nunca fui à pala com o tema "Tribe", não sei se pela letra ou pelos riffs que ficam na cabeça mas que não me soam bons. Em "Bumba" Max canta de uma maneira quase "ragga", mas não gosto deste tema também. "First Commandment" tem a participação de Chino Moreno dos Deftones mas nem isso salva o tema também de tão pouco interessante que a música é. Em "Bumbklaatt" a coisa melhora um bocado, um tema engraçado e groovy que parece ter saído do "Roots". Tem uma bateria toda semelhante aos toques de Iggor Cavalera. O tema título "Soulfly" é uma serena balada industrial que se viria a tornar numa tradição em todos os álbuns seguintes: a inclusão de uma balada instrumental (Soulfly II, Soulfly III, etc).

"Umbabarauma" é uma inclusão um bocado ridicula e nunca levei este tema a sério. É uma cover qualquer de um tema sobre futebol com uma letra cantada em português. "Quilombo" e "Prejudice" contam com uma interessante participação de Benji Webbe dos Dub War e Skinlab, dando uma fusão engraçada ao som dos Soulfly com uma voz totalmente diferente. 

"Fire" é outro ponto alto e outro tema que poderia muito bem estar no "Roots", conta com uns riffs malignos e interessantes e uma bateria sempre competente. Pelo meio a coisa cai numa espécie de jam até chegar a um final em estilo de breakdown. "The Song Remains Insane" começa com uma curtíssima cover de "Caos" de Ratos de Porão, passa para uma versão acelerada e hardcore do tema "Atitude" dos Sepultura mas a coisa perde-se pelo meio e não parece ter resultado, acaba por dar em nada e numa repetição irritante do título da música como letra. "No" é um bom tema orientado no Groove, com a participação de Christian Olde Wolbers dos Fear Factory no baixo. "Karmageddon" termina a coisa em espécie de outro instrumental numa ambiência sinistra e cinematográfica. 

É portanto uma estreia da nova era do Max com os Soulfly repleta de altos e baixos, mas com momentos bons suficientes para ser ouvido. São 15 temas aqui presentes... Se tivessem excluído o que estava a mais, provavelmente este disco teria soado bem melhor por inteiro e teria dado uma pontuação superior.

Pontos altos: "Eye For An Eye", "No hope No Fear", "Bleed", "No"
Pontos baixos: "Tribe", "Bumba", "Umababarauma", "The Song Remains Insane"