07/06/2013

METALLICA - Master of Puppets (1986) [9/10]

"Lashing out the action, returning the reaction
Weak are ripped and torn awaaaay!"


Já falei aqui dos Metallica no seu pior com o "St. Anger" e a atrocidade do "Lulu", em "Master of Puppets" temos algo bastante diferente, temos a época de ouro dos Metallica e um grande álbum de Thrash Metal.

Entre os oito longo temas, temos então instrumentalmente uma excelente exibição de grandes riffs e solos de guitarra de Kirk Hemmett e James Hertfield por toda a parte, um baixo muito competente do falecido Cliff Burton (RIP) e uma bateria bastante agressiva e sem meias medidas de Lars Ulrich... Sempre directa ao assunto. Estavam todos jovens, sedentos pela fama, mas mais importante do que tudo: estavam todos inspirados. Até a voz soa com mais vontade e energia, quase que sentimos um jovem James Hertfield a gritar para o mainstream aqui.

Os dois clássicos que abrem o disco "Baterry" e "Master of Puppets" são sem dúvida, ainda hoje em dia, dois favoritos dos melhores temas dos Metallica. Sempre adorei também a seguinte "The Thing That Should Not Be", um tema mais lento mas repleto de um Groove contagiante. "Welcome home (Sanitarium)" é também outra grande malham, com um refrão bastante cantável e catchy e uma ambiência inovadora que só sabe a Metallica e a mais nada. 

"Disposable hereos", "Leper Messiah", a instrumental "Orion" e "Damage Inc." continuam a destilar peso e melodias memoráveis e continuam aquele que para mim é o melhor álbum dos Metallica.

SIX FEET UNDER - Bringer of Blood (2003) [6/10]

"Assassinada na cave"

"Bringer of Blood" de 2003 foi outro álbum dos Six Feet Under em que alguma peça do puzzle estava em falta. Nada nos soa particularmente mau aqui, mas também nada nos soa particularmente bem. E a indiferença é uma coisa má no que toca a música, é suposto ela causar-nos reacção.

A voz de Chris Barnes é brutal, mas aqui neste álbum ela soa-me particularmente cansada por assim dizer. Não sei se foi da produção, se Barnes estava constipado ou se ele teria fumado muita erva na altura da gravação e queimou a garganta. O instrumental é o que me soa particularmente fraco para uma banda de renome internacional no Death Metal... Existe muita falta de dinâmica nos riffs da guitarra, soa pouco inspirada e sempre a bater na mesma tecla (ou notas).

Apesar de tudo, este "Bringer of Blood" tem alguns momentos mais interessantes e consegue não ser o pior álbum dos SFU. Eis esses momentos:
 - "Amerika The Brutal": Refrão engraçado e catchy, e algum Groove jeitoso.
- "Murdered In The Basement": A mais curta mas a melhor daqui, com umas vozes dobradas no refrão brutais.
- "When Skin Turns Blue": Este aqui com uma ambiência mais negra e sinistra, o tema descola bem e não há nada de errado com ele e é dos que soa melhor também.

SIX FEET UNDER - Graveyard Classics II (2004) [3/10]

E os Six Feet Under brincam ao karaoke... AC/DC em Death Metal?

"Graveyard Classics II" é uma sequela do primeiro álbum dos Six Feet Under inteiramente dedicado a covers. O primeiro volume já tinha sido mau, mas ao menos a banda interpretava covers de vários artistas... Aqui no segundo volume temos os SFU a interpretar o álbum clássico "Back In Black" dos AC/DC por inteiro.

Tendo isso em mente, não pode haver grandes expectativas... O primeiro volume já tinha a cover da "TNT" dos AC/DC, não poderiam ter ficado por aí? Tinham mesmo de gravar por INTEIRO um álbum dos AC/DC? Isto é daquelas coisas que a banda deveria ter guardado para si e não ter metido isto no mercado. Duvide muito que alguém tenha ouvido isto por mais do que umas meras vezes. Eu não o fiz.

Pois bem, temos os 10 temas do álbum original instrumentalmente bastante fiel, o que aborrece ainda mais a coisa. O tempo e velocidade das músicas é quase inalterado, é uma verdadeira seca! Antes tivessem "violado" os temas e terem acelerado muito mais a coisa, era capaz de ter tido mais piada do que isto. É que não sabe a nada...

A diferença maior é a afinação mais grave da guitarra e obviamente a voz que soa quase ridícula em cima destes temas... Imaginem o vozeirão gutural de Chris Barnes dos Six Feet Under e ex-vocalista dos Cannibal Corpse a cantar temas como "Givin The Dog a Bone", "Back In The Black", "You Shook Me All Night Long" ou "Shake a Leg"... Só se for pela piada de ouvir a primeira vez, porque de resto... Não há motivo nenhum para se ter um disco destes em casa. 

HIPOCRISY - Virus (2005) [8/10]

"Virus" veio para infectar.

Décimo álbum de estúdio da banda de death metal melódico e 48 minutos de pura destruição maciça, é uma boa de descrever este vírus. 

Depois de uma pequena introdução de 16 segundos que nada faz pelo álbum e que poderia ser removida, "Warpath" e "Scrutinized" entram a matar sem piedade com bastante peso e muita maturidade... Esta última faixa mencionada a conter um solo de guitarra do convidado Gary Hold dos Exodus (e a ser uma das melhores malhas do disco). A seguinte "Fearless" conta com uns riffs mais melódicos e mostra a faceta mais "Melodic" do Death Metal dos Hipocrisy.

Muitos bons riffs de guitarra são aqui ouvidos nestes temas maduros e bem estruturados. Quase todos eles rodam os quatro minutos e meio e variam muito... Uma boa dose dos riffs de guitarra são mais melódicos, mas outra grande parte são de puro peso, existindo também neste álbum bastantes influências mais Black Metal, onde os riffs são acompanhados por alguns blast-beats na bateria que também está em alta como as guitarras. 

E depois de muitos guturais e berradeira, o último tema do disco "Living To Die", o álbum termina numa toada melódica com vozes limpas até a fazer lembrar por vezes um Ozzy Osbourne. Um tema bastante melódico e muito bom para terminar um disco cheio de peso.
Há bastante Melodic Death Metal, Death Metal e Black Metal aqui. Um disco maduro vindo de uma banda madura que não decepcionou ninguém com "Virus"... Muito pelo contrário.

Pontos altos: "Scutinized", "Let The Knife Do The Talking", "Living To Die"

06/06/2013

CHILDREN OF BODOM - Skeletons In The Closet (2009) [7/10]

De Slayer a Britney Spears... O álbum de covers dos Children.

E depois de 6 álbuns desta banda de Melodic Death Metal com muitas coversa ser usadas como B-Sides e faixas bónus em edições especiais, os Children of Bodom decidem juntar a "tralha" toda num só disco, o que parece boa ideia para os seus maiores fãs. "Skeletons In The Closet" conta com uma dose de versões já lançadas anteriormente e algumas novas. Os Children muitas vezes não se colaram demasiado às originais, o que é uma coisa boa. Deram aos temas um ar mais próprio onde as guitarras, teclados e vocalizações (as limpas) se destacam.

Sobre as covers em si falando, algumas delas parecem ter sido feito mais por brincadeira e diversão da própria banda... "Oops.. I Did It Again", o clássico do pop da Britney Spears parece um bom exemplo disso. Uma versão um pouco improvável, diga-se de passagem. Por muito que os Children of Bodom sejam bons e tenham revertido o tema numa coisa bastante mais audível, não deixa de ser um bocado patético ouvir uma letra daquelas em cima de um tema instrumentalmente aceitável. É a tal coisa, é uma coisa que se ouve uma vez e acha-se piada pela ousadia e improbabilidade... Não passando disso. Prefiro as covers na toada mais séria, tipo a "Mass hypnosis" dos Sepultura (se bem que esta sofre pela produção), "Aces high" dos Iron Maiden ou "Silent Scream" dos Slayer. 

Há bastante variação de artistas que a banda escolheu para dar o seu tributo, temos de WASP a Suicidal Tendencies, de Billy Idol a Poison... E muitas das covers soam-nos numa versão bastante mais "punk" e mexida. Por falar em Punk, uma das versões que mais resultou foi sem dúvida a versão do clássico dos Ramones "Somebody Put Something In My Drink". Está bastante catcHy e conseguida. Para contrariar esta boa versão, uma cover que não me agradou muito foi a sua versão dos Scorpions "Don't Stop At The Top"... Soa-me descabido alguém a gritar cheio de veneno o título da música que me soa tão positivo. A voz podia ter ficado pelos cleans que não são nada maus.

Uma coisa mais para os grandes fãs da banda. Embora tenhamos coisas boas, há outras que para mim não resultaram tão bem. Talvez seja o único disco do mundo em que haja Slayer e Britney Spears escritos no mesmo booklet

RAMMSTEIN - Reise Reise (2004) [8/10]

Os alemães carismáticos na sua boa fase.

Embora não tão bom como o anterior "Mutter", "Reise Reise" espelha ainda uma boa fase dos Rammstein, repleta de boas ideias e temas bem constituídos com riffs e estruturas simples mas repletos melodias épicas e conseguidas.

O tema-título "Reise Reise" abre um disco numa toada melódica e catchy, enquanto que o single "Mein Teil" já puxa um bocado mais pelo peso com riffs de guitarra mais agressivos. Os dois primeiros temas começam bem a coisa, e continuando a escutar tudo, apanhamos mais umas numerosas boas surpresas:

- "Keine Lust": Conta com um groove bastante jeitoso e melodias muito boas mais para o fim.
- "Amerika": O mais comercial e orelhudo, entranha na memória com força.
- "Moskau": O tema lembra-me uns Paradise Lost na época do "Symbol of Life". Este conta com um conseguida introdução de uma voz feminina muito pouco comum e umas linhas de uma coisa que se assemelha com um acordeão (?).
- "Morgenstern": Um tema bastante "escuro" dos Rammstein, com umas teclas bastante conseguidas e um refrão poderoso. Um dos melhores de todo o disco sem sombra de dúvidas.
- "Ohne Dich": Balada bastante bonita onde mostra o lado mais melódico dos Rammstein.

São então estes acima, que na minha opinião são os temas a ter mais em atenção. Um disco bastante positivo e bem produzido dos Rammstein, o melhor deles a par do excelente "Mutter". O que veio a seguir perdeu um pouco a dinâmica e aquele factor de "novidade". "Mutter" e "Reise Reise" era o que aconselharia a qualquer pessoa que os tivesse a descobrir agora.

05/06/2013

PANTERA - Cowboys From Hell (1990) [9.5/10]

E os Pantera ficam sérios...

Este clássico é para mim, para muitos fãs e até para os próprios Pantera o primeiro álbum a sério deles... Foi aqui que tudo começou a ficar sério. Os Pantera abandonam o seu Power/Glam Metal e os seus primeiros quatro álbuns desse estilo, começando do zero com o seu inovador e muito único Groove Metal cheio de pedalada. 

O tema título abre o disco de uma maneira quase bombástica... Após o primeiro de muitos riffs geniais do grande Dimebag Darrel (ainda chamado de Diamond Darrel aqui), rapidamente percebemos que sai-nos a sorte na rifa e que coisas boas virão... E não nos enganamos, os excelentes riffs a rasgar, harmonias e fabulosos solos de guitarra estão por toda a parte.

"Primal Concrete Sledge" mostra logo a importância da maneira como Philip Anselmo inteligentemente coloca as suas vozes nos temas, tornando-os verdadeiramente cantáveis e orelhudos. Uma voz completamente diferente de tudo a que estamos habituados a ouvir... Ora temos vocalizações cleans sujas, ora temos uns agudos bastante poderosos e controlados. Grande voz. 

Em temas como "Psycho Holliday", "Domination" (que solo e breakdown no final!) ou "Shattered" notamos que a bateria de Vinnie Paul é também bastante característica, com o uso de double-bass e de toques panterianos bastante característicos. E apesar de raramente termos os baixistas a brilhar numa banda de Metal, Rex Brown é sem dúvida outra máquina dotada de técnica que muito bem acompanha tudo lá no fundo. Que quarteto que os Pantera foram...

"Cowboys From hell", "Primal Concrete Sledge", "Psycho Holliday", "Domination", "Shattered" são já as excelente malhas mencionadas.... Juntando a mais thrash "Heresy", a magnífica e melódica "Cemetery Gates" (com um gigante duelo no fim entre os guinchos da guitarra e os berros agudos "Gaaaaaaaaaaatess!") e a contagiante "The Sleep", temos aqui já muitas razões para considerar este álbum uma obra prima de todos os tamanhos.

RIP Dimebag Darrel.

04/06/2013

MUDVAYNE - L.D.50 (2000) [8.5/10]

Uma dose letal.

Os trabalhos recentes dos Mudvayne não me despertaram o mínimo de interesse... Os primeiros álbuns são sem dúvida para mim os que mais valem pela sua originalidade e criatividade. Os primórdios Mudvayne não eram só mais uma banda de Nu Metal, eram sim um dos seus maiores valores. 

O disco de estreia "L.D.50" (para muitos o favorito da banda) mostra elementos únicos que cheguem para considerar este um grande trabalho. A voz tanto berrada como limpa é muito boa e diferente, as guitarras conseguem transbordar excelentes ambiências sinistras e ao mesmo tempo muito peso, a bateria está bastante competente e o baixo assume um papel de destaque com linhas bastante dotadas tecnicamente. É capaz de ser um dos álbuns mais técnicos de todo o movimento Nu Metal, género que foi mais conhecido pela sua simplicidade.

São 17 temas, incluindo 5 faixas que servem como interludes instrumentais com ambiências extraterrestres muito boas e 12 malhas bastante originais e potentes, tomando "Dig", "Internal Primates Forever", "-1" e "Death Blooms" como os melhores exemplos.

Uma produção excelente, temas completamente diferentes e sangue novo e sedento pareceram ter sido os principais factores para um excelente primeiro álbum dos Mudvayne.

ANATHEMA - The Silent Enigma (1995) [8/10]

"Um desejo de morte..."

Este é o segundo álbum longa-duração dos Anathema e o primeiro com o guitarrista Vincent Cavanagh a assumir também o papel de vocalista após a saída de Darren White, que deu voz aos anteriores "Crestfallen" (EP), "Serenades" (album) e "Pentecost III" (EP). 

Apesar da mudança para o vocalista que ainda hoje se mantém, os Anathema ainda estavam longe da sonoridade actual e mantinham o seu peso Doom, se bem com elementos mais melódicos que os anteriores trabalhos. Vicent assumiu muito bem o novo papel, com umas vocalizações agressivas e arrastadas com a introdução de algumas spoken words na mesma onda de Darren. Só nos discos seguintes é que ele mostraria a sua voz limpa muito boa, aqui os Anathema ainda estavam "pesados".

Além de melhor produzido que o primeiro álbum "Serenades", a banda mostra também uma maturidade superior com composições longas de alta qualidade e cheias de sentimento. Existe muito peso arrastado do Doom Metal e até algumas influências de Gothic (a lembrar uns Paradise Lost antigos em algumas partes), mas há também muita melodia fenomenal nas guitarras e ambiências arrepiadoras provocadas pelo EBow que tanto gostam de usar. Apesar de ainda bastante pesado, nota-se uma "desaceleração" no peso, uma ligeira mutação para perspectivas mais melódicas que iriam "sugar" os Anathema posteriormente.

"Relentless Oblivion", a balada "Alone..." e "A Dying Wish" são os meus temas preferidos num álbum em que todos eles são de valor.

03/06/2013

AMORPHIS - Black Winter Day EP (1995) [7/10]

Um dia negro de inverno.

Um EP antigo dos Amorphis que tem como principal atracção o tema "Black Winter Day" que já tinha sido editado no anterior disco longa duração intitulado de "Tales From A Thousand Lakes". Continua ainda hoje a ser um grande clássico dos Amorphis, mesmo depois de diversas mudanças de line-up incluindo vocalistas.

Ainda longe da sonoridade actual, estes Amorphis antigos ainda estavam na onda de um Death Metal melódico com uma boa dose de Doom Metal também. O tema-título que abre o EP é uma composição bastante melódica e arrastada onde automaticamente somos advertidos para a importância do trabalho de teclas... Elas são tão importantes quanto as guitarras. 

Segue-se uma curtinha instrumental "Folk of the North" que conta também com uma ambiência bastante boa e "Moon and Sun" e "Moon and Sun pt2: North's Son". A primeira com um feel bastante Doom e a segunda é mais longa e variável, passa por algum peso até chegar a um final bastante melódico e belo.

São 4 temas duns Amorphis old-school, onde as guitarras e teclado destacam-se pelas suas melodias e interligação, enquanto que o baixo e bateria acompanham a coisa sem grandes exibicionismos e uma voz gutural e negra (por vezes até forçada) dão o resto do corpo a toda a sonoridade.